Política

Costa mantém tabu sobre liderança do PS

Costa mantém tabu sobre liderança do PS

Num clima tenso, a noite desta terça-feira, no Largo do Rato, não foi tão clarificadora como estava previsto: António Costa apenas assumiu que será candidato à Câmara de Lisboa, independentemente do resultado das eleições internas no partido.

Quanto à disputa da liderança, prevista para março, o autarca manteve o tabu e deixou um ultimato a Seguro - ou consegue unir o partido "para fazer oposição ao Governo, sem andar a reboque do BE e do PCP", ou ele avança.

Segundo alguns dos socialistas próximos do presidente da Câmara de Lisboa presentes na reunião da Comissão Política, Costa deixou a ameaça de que avançará se se mantiver o clima de desunião do partido. Ou seja, Seguro terá adversário se não conseguir que o PS esteja unido em torno de um rumo de oposição à Direita.

Já António José Seguro foi duro e abriu as hostilidades da reunião anunciando a recandidatura ao cargo de secretário-geral.

Ao longo de cerca de quinze minutos, usou um tom de crítica aos que promovem "a obstrução do trabalho da atual Direção", num "ambiente de fação".

De acordo com fonte oficial da Direção do partido, Seguro acusou de "hipocrisia, cinismo e deslealdade" os que condicionam "o combate político a agendas e ambições pessoais, que nada têm a ver com política mas sim com lugares".

Sem nomear os que acusou de estarem a "lutar por lugares", Seguro, ainda segundo a mesma fonte, reforçou a ameaça de que não permitirá que as tais "agendas pessoais" e o "regresso ao passado" prejudiquem o seu trabalho. Foi o ataque direto aos socratistas, que não ficou sem resposta.

O primeiro a reagir foi Pedro Silva Pereira, o ex-braço direito de José Sócrates no Governo, que precipitou a luta pela liderança do PS, ao desafiar Seguro a marcar o congresso e as eleições diretas para a liderança para antes das autárquicas de outubro.

Da noite desta terça-feira, ficou a imagem da chegada de António Costa ao Largo do Rato com Francisco Assis a seu lado, dois anos depois do autarca ter recuado no confronto com Seguro a favor do ex--líder parlamentar.