Desemprego

Debate com Passos Coelho interrompido por cântico nas galerias do Parlamento

Debate com Passos Coelho interrompido por cântico nas galerias do Parlamento

Um grupo de cidadãos que assistia, esta manhã, ao debate quinzenal no Parlamento interrompeu o primeiro-ministro e começou a cantar o tema "Grândola Vila Morena". Passos Coelho não perdeu a calma e disse: "Das formas como os trabalhos podem ser interrompidos, esta parece a de mais bom gosto", disse, acrescentando depois que lhe fez lembrar as comemorações do 25 de Abril realizadas na Assembleia no ano passado.

Os manifestantes foram escoltados para fora das galerias pela PSP e estarão, neste momento, a serem identificados. Entre os manifestantes estão cidadãos ligados ao movimento "Que se lixe a Troika" e algumas figuras públicas, como Carlos Mendes (fadista), Vera Mantero (coreógrafa), Nuno Ramos de Almeida (jornalista), Miriam Zaluar (jornalista e ativista social) e Garcia Pereira (advogado).

João Semedo, deputado e coordenador do BE, referiu-se ao protesto como "uma lufada de ar fresco" nos trabalhos parlamentares.

Já no final do plenário, o secretário-geral do PS, António José Seguro, frisou que o ruído nas galerias comprova o descontentamento dos portugueses.

O deputado comunista Honório Novo confessou que trauteou a canção, mas em silêncio, apesar da vontade em o fazer em voz alta.

Desemprego

"A ideia de que o Governo está resignado, atrozmente resignado com a situação do desemprego não pode estar mais longe da realidade", afirmou Pedro Passos Coelho, no início do debate quinzenal com o Governo na Assembleia da República, depois da deputada do partido ecologista Os Verdes ter acusado o executivo de ter uma "resignação atroz" e um "conformismo absoluto" perante a taxa de desemprego, que já atinge os 16,9%.

O primeiro-ministro assegurou ainda que o Governo não nega a realidade, lembrando que tem pronunciado publicamente a preocupação do Governo perante o desemprego, um assunto "delicado" que tem "uma enorme relevância" quer do ponto de vista social, quer do ponto de vista económico.

Antes, a deputada do partido ecologista os Verdes Heloísa Apolónia tinha qualificado a situação atual do desemprego como "um cenário absolutamente catastrófico" e uma "situação verdadeiramente alarmante".

"É também duplamente alarmante que a reação do senhor primeiro-ministro a esta situação ou a única medida apontada para esta situação seja a da probabilidade de fazer uma revisão em alta dos números do desemprego", disse, considerando ainda a taxa de 40% do desemprego jovem como "uma calamidade".

"Adequar a previsão do desemprego àquela que é a realidade não é a solução para combater o desemprego", acrescentou, lamentando que perante este cenário o Governo pense ainda em cortar quatro mil milhões de euros nas funções sociais do Estado.

Na resposta, o primeiro-ministro reconheceu que a evolução do desemprego é negativa e tem representado um "custo extremamente pesado" para as famílias e do ponto de vista económico, mas lembrou que o Governo está já a trabalhar "nas condições que permitam uma inversão do nível de atividade económica e que permitam alterações no tecido microeconómico que promovam o emprego e o crescimento".

"Uma parte dessas medidas são conhecidas, são reformas designadas de estruturais que o Governo tem vindo a cumprir de uma forma bastante intensa e em relação à qual não se apresentam desvios significativos quanto aos timings que estavam inicialmente previstos", frisou, notando, contudo, que "essas medidas de caráter mais estrutural demoram algum tempo a produzir resultados".

Por isso, continuou, a par dessas medidas estruturais é importante trabalhar as condições de conjuntura melhorando as perspetivas de empregabilidade daqueles que caíram no desemprego, estando já o Governo a fazer uma reavaliação de todos os instrumentos públicos que existem em matéria de combate ao desemprego de modo a torná-los "os mais eficazes possíveis".

Como exemplo, Passos Coelho apontou as alterações recentemente introduzidas no programa Impulso Jovem, destinado a abranger cerca de 90 mil jovens que estão em situação de desemprego.

Este programa, admitiu, tem tido um desempenho que não satisfaz o Governo, e as alterações agora introduzidas têm como objetivo a melhorar as suas perspetivas de aplicação.

A deputada do partido ecologista Os Verdes questionou ainda o primeiro-ministro sobre a possibilidade da Autoridade Tributária aplicar coimas aos consumidores que não pedem fatura, mas Pedro Passos Coelho não disse qualquer palavra sobre o assunto.

*Com agência Lusa