Política

"Está-nos a sair do lombo", diz Passos Coelho sobre os sacrifícios pedidos aos portugueses

"Está-nos a sair do lombo", diz Passos Coelho sobre os sacrifícios pedidos aos portugueses

O líder do PSD reconheceu, esta sexta-feira, que os portugueses têm sido "compreensivos" com sacrifícios que lhes têm saído do "lombo", e apesar de uma oposição a quem "tudo parece um prego" porque "anda sempre com um martelo na mão".

"Aqueles que há um ano diziam que o primeiro trimestre era atípico e que não refletia toda a informação são os primeiros agora a anunciar o caos do Orçamento. Costuma-se dizer que quem anda sempre com um martelo na mão, tudo lhe parece um prego", afirmou Passos Coelho.

No discurso de abertura do Congresso do PSD, em Lisboa, o presidente social-democrata, reconheceu, com "muita humildade, mas ao mesmo tempo com muito orgulho", que "apesar das marteladas", os portugueses "têm sido compreensivos e pacientes" e não querem "flexibilizar" nem "pedir mais tempo", mas agir como "gente honrada".

"Está-nos a sair do lombo, está-nos a sair da pele. Nós sabemos o que tem custado em Portugal cumprir estes objetivos e sabemos que temos que continuar a ser exigentes e atentos para não falhar", declarou.

O líder social-democrata e primeiro-ministro afirmou que os portugueses sabem que é preciso "lutar todos os dias para chegar onde é preciso", e que isso não se faz falando "em flexibilizar, em adaptar, em ter mais tempo, em renegociar, em desistir".

"É porque nós não desistimos, não queremos renegociar, não queremos fazer essa flexibilização, nós queremos ser exigentes e intransigentes no cumprimento das nossas obrigações. É assim que gente honrada faz, é assim que quem quer o crédito reconhecido pelos outros tem que fazer, é o que os portugueses estão a fazer com o nosso Governo", defendeu.

Passos Coelho sublinhou que se pode "facilitar", apesar do "reconhecimento externo" de que o Governo dominou a "situação", e "ninguém tem dúvidas fora de Portugal de que este Governo está absolutamente comprometido com aquelas metas".

"Não precisamos de disfarçar, não é para inglês ver, eles sabem que nós somos os primeiros a ser intransigentes com aquelas metas, cheguei a dizer 'haveremos de as cumprir, custe o que custar', é verdade", declarou.

"Todos os meses é preciso fazer um esforço enorme para que a despesa recue, todos os meses é preciso estar atento á evasão fiscal, todos os meses é preciso estar atento à coesão social, todos os meses, todos os dias é preciso estar mais atento aos que estão mais vulneráveis", afirmou.

O presidente do PSD sublinhou a necessidade de "cumprir uma agenda de transformação estrutural" que está no memorando de entendimento e, nesse sentido, afirmou a necessidade de ser "mais ambicioso" do que esses objetivos estipulam.

"Aí sim, pode-se dizer que temos sido mais ambiciosos do que o próprio memorando e que, portanto, vamos à frente da 'troika'", afirmou.

Passos referiu-se à greve geral de quinta-feira e do fim da "guerra de números" entre Governo e Sindicatos, pelo facto de o executivo não ter divulgado dados sobre a adesão à greve.

"Acabou essa guerra. Respeitamos a decisão de quem faz greve, achamos que não é disso que o país precisa, mas respeitamos os direitos constitucionais dos portugueses, mas claro, respeitamos também os direitos daqueles que optaram por não fazer greve e por lutar por Portugal, por trabalhar e acrescentar produto no país quando nós precisamos de aumentar a nossa riqueza. Esses, confesso, merecem também um respeito tão grande ou maior", afirmou.