Política

Governo é mau mas oposição não convence

Governo é mau mas oposição não convence

Se o Governo é mau (77%), a Oposição não faria melhor (61%). Se as medidas do Governo são ineficazes (60%), as que propõe a Oposição não convencem (57%). Se a maioria dos portugueses já não acredita em nada, é o PSD quem ganha com isso.

Nos últimos meses, os eleitores foram confrontados com um "colossal" aumento de impostos; com o agravamento da recessão; com o número de desempregados a chegar ao milhão; com o falhanço, portanto, das políticas do Governo; e ainda com a contestação nas ruas. Um caldo que deveria conduzir ao castigo eleitoral do PSD e ao reforço do PS. No entanto, a lógica, em Portugal, nos dias que correm, é uma batata.

De acordo com uma sondagem da Universidade Católica para o JN, é o PS quem ainda lidera (31%) as intenções de voto. Mas com o mesmo "score" que obteve em setembro do ano passado, quando ainda não havia Orçamento, nem os seus duros efeitos no empobrecimento geral. O PS não só não é capaz de abrigar o descontentamento popular, como o celebrizado "Documento de Coimbra", que colocou António Costa e António José Seguro no mesmo lado da barricada, foi para o caixote do lixo dos eleitores.

Seguro não "descola" - se a comparação for feita com junho do ano passado, até perdeu dois pontos -, nem mesmo quando se sabe que já interpela diretamente Lagarde e Durão e que endureceu o discurso, exigindo que a avaliação política se sobreponha aos tecnocratas da troika. E se Seguro vence, mas não convence, recupera o PSD, que se aproxima (28%) dos socialistas, subindo quatro pontos face a setembro. Mesmo que o CDS-PP desça dois pontos, o conjunto do Centro Direita está a recuperar.

Ao contrário, a soma da Esquerda, mantendo-se maioritária (51%), perde fulgor. Porque à estagnação do PS soma--se uma ligeira quebra da CDU (tem agora 12%) e uma descida um pouco mais acentuada do BE (caiu três pontos para 8%). Sendo que entre as sondagens de setembro e março o Bloco trocou um líder carismático, Francisco Louçã, por uma liderança bicéfala e com menor músculo político.

Governo deve continuar

A recuperação do PSD na sondagem pode ser explicada pelas restantes respostas dos inquiridos. Se é verdade que 77% continuam a opinar que o Governo é mau ou muito mau, e que as suas medidas não vão tornar o país mais competitivo ou desenvolvido (60%); estão também em maioria os que opinam que a Oposição não faria melhor (61%) e os que não se revêm em nenhuma das medidas que os partidos da Esquerda apresentam (57%).

A descrença é maioritária, mas a política tem horror ao vazio. E os portugueses optam então por uma postura muito semelhante à de Cavaco Silva: não perdem uma ocasião para criticar as medidas do Governo, mas nada farão para o fazer cair. A sondagem fornece os números que sustentam a tese: 46% preferem que o atual Governo se mantenha em funções, contra 45% que defendem a sua demissão. Pedro Passos Coelho, que também é o político português com pior "nota" na avaliação dos portugueses, salva-se por pouco, mas salva-se.

E se os portugueses estão divididos ao meio quanto a derrubar ou manter o Governo, se for para cair, não querem um Mario Monti à portuguesa. Novo Governo, só com eleições (68%).

Ficha técnica

Esta sondagem foi realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias nos dias 9, 10 e 11 de março de 2013. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezassete freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2009 e 2011 nesse conjunto de freguesias, ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma, estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 949 inquéritos válidos, sendo que 56% dos inquiridos eram do sexo feminino, 21% da região Norte, 20% do Centro, 37% de Lisboa, 11% do Alentejo e 10% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 46,7%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 949 inquiridos é de 3,2%, com um nível de confiança de 95%.