Política

Governo não tem modelo de salários baixos para o país, garante Passos Coelho

Governo não tem modelo de salários baixos para o país, garante Passos Coelho

O primeiro-ministro garantiu, esta sexta-feira, que o Governo não tem um modelo de salários baixos e de desemprego para o país, mas lembrou que não basta decretar o nível salarial para o país o suportar.

"O Governo não tem um modelo de salários baixos e de desemprego para o país", afirmou Pedro Passos Coelho, em resposta à intervenção do BE no debate quinzenal com o primeiro-ministro na Assembleia da República.

Sublinhando que gostaria muito que em Portugal o salário mínimo tivesse um nível mais aproximado de outras economias do euro e que Portugal tivesse uma economia mais madura, mais avançada, mais aberta, mais competitiva, com salários médios mais elevados e com poder de compra maior, Passos Coelho disse ser nessa matéria "uma pessoa normal".

"Desconfio mesmo que não haja ninguém que não deseje o mesmo, embora possa existir alguém mais enviesado que defenda uma realidade económica pior, mais miserável, mas não é muito normal", acrescentou.

Contudo, continuou, apesar de defender para Portugal melhores salários, melhores remunerações, também defende maior produtividade e mais competitividade "para que o país não viva com a ilusão" de que "basta decretar o nível salarial para que o país o possa suportar".

Antes, a coordenadora do BE Catarina Martins acusou o primeiro-ministro de desdizer as suas próprias afirmações em relação ao aumento do salário mínimo nacional, recusando agora debater a questão na concertação social.

Notando que se vive um "momento histórico" em que centrais sindicais e confederações patronais estão disponíveis para um acordo com o salário mínimo nacional, Catarina Martins reforçou que só o Governo é que não quer avançar com essa discussão.

"O Governo é o único que não quer subir o salário mínimo nacional", salientou, considerando que a política do executivo de maioria PSD/CDS-PP é a dos salários baixos.

"É tudo o que quer, salários baixos e desemprego", acrescentou.