Política

João Proença reafirma que foi incentivado pela CGTP a negociar

João Proença reafirma que foi incentivado pela CGTP a negociar

O secretário-geral da UGT, João Proença, reafirmou que foi incentivado por dirigentes da CGTP a negociar o acordo de concertação com Governo e patrões.

"Disse que recebi incentivos para negociar um acordo, para dizer que a CGTP não estava em condições de continuar o processo negocial ou de celebrar qualquer tipo de acordo, e que era fundamental que a UGT, com essa negociação, preservasse o movimento sindical, colocado em causa pelos termos do acordo com a troika e depois agravado pelo actual Governo", disse João Proença, em declarações que serão transmitidas hoje no programa TSF "Gente que conta".

Na entrevista, também publicada na edição de hoje do Diário de Notícias' (DN), perante a pergunta dos entrevistadores: "Estamos a falar de dirigentes da CGTP?", João Proença respondeu:"Repito os termos com o que disse: dirigentes da maioria da CGTP".

A assinatura do acordo de concertação social pela UGT foi fortemente criticada pela CGTP, que tinha abandonado as negociações pouco tempo depois de terem começado. Em resposta, João Proença garantiu ter sido incentivado pela CGTP a assinar.

As afirmações de João Proença sobre alegados incentivos da CGTP à assinatura do acordo de concertação social foram proferidas pela primeira vez a 19 de janeiro, numa entrevista à Antena 1, e suscitaram uma forte reacção da CGTP, que decidiu apresentar "uma participação criminal" contra João Proença.

Em comunicado, a intersindical "repudiou" as declarações do líder da UGT, que considerou "injuriosas e difamatórias".

A organização considerou que as declarações, "para além de falsas, demonstram que perante o repúdio generalizado da opinião pública, o secretário-geral da UGT não olha a meios para tentar justificar um vergonhoso acordo de agressão aos trabalhadores".

A organização sindical sublinhou no mesmo comunicado a sua posição contrária ao acordo assinado na quinta-feira pela UGT, Governo e patrões.

Na entrevista publicada hoje, João Proença admitiu que a "esmagadora maioria da UGT e dos seus dirigentes são socialistas e sociais-democratas", ressalvando que tal "não quer dizer que, nomeadamente no Conselho Geral, não haja dirigentes de outras tendências, incluindo da área do Partido Comunista".

O secretário-geral da UGT louvou ainda a "atitude responsável" do líder do PS, António José Seguro, e acusou de "grande irresponsabilidade" alguns antigos governantes socialistas pelos comentários sobre o acordo.

"O secretário-geral do PS esteve estreitamente informado sobre o decorrer do processo negocial- como outras pessoas, não foi só ele. Aliás, a contrastar com esta atitude de responsabilidade do secretário-geral do PS, tem havido uma atitude de grande irresponsabilidade de alguns ex-governantes do PS relativamente a comentários que têm feito ao acordo"

Sem citar nomes, o responsável da UGT desafiou esses antigos governantes a apontarem "uma única medida neste acordo que seja pior do que as que estão no memorando que eles assinaram com a troika".