Política

Medeiros Ferreira receia "confronto social" devido à austeridade

Medeiros Ferreira receia "confronto social" devido à austeridade

O ex-deputado do PS à Assembleia da República Medeiros Ferreira disse este sábado que Portugal poderá estar na iminência de viver uma "confrontação social" devido ao impacto das medidas de austeridade.

Falando como convidado no XV Congresso Regional do PS/Açores, a decorrer na cidade da Horta, no Faial, o histórico militante socialista alertou o Governo da República para as consequências da quebra do "contrato social" entre os cidadãos e o Estado.

"Há um contrato social, que tem a ver com o facto de o Estado proporcionar serviços públicos universais, no domínio da Educação e da Saúde", recordou Medeiros Ferreira, acrescentando que, na altura em que esses serviços forem retirados, "o contrato social pode desfazer-se" e originar um período de "confrontação social".

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu que o PS/Açores "é o melhor partido do país", porque mantém os apoios sociais às famílias e às empresas, mesmo quando no continente o Governo de Passos Coelho (PSD/CDS-PP) agrava o custo de vida dos portugueses.

Numa longa intervenção, aplaudida de pé por todo o congresso, Medeiros Ferreira disse que ainda hoje, já reformado, continua a olhar para o recibo de vencimento para saber se o Estado lhe voltou a cortar benefícios.

"Se eu fosse presidente da República, optaria por receber o vencimento", disse o comentador político, numa alusão à reforma de Cavaco Silva, perante os risos e aplausos dos congressistas socialistas.

No seu entender, faria mais sentido que Cavaco Silva "recebesse pela função que exerce" e só optasse pela reforma quando deixasse de exercer o cargo.

Medeiros Ferreira destacou também que o PS/Açores tem sido uma "grande escola de governantes e administradores" e disse esperar que Carlos César, ex-presidente do Governo Regional e ex-líder do partido no arquipélago, venha a ser "um grande governante em Portugal".

A alusão do comentador ao futuro político de Carlos César - já referida na sexta-feira pelo presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, no primeiro dia do congresso - não mereceu, no entanto, qualquer comentário do ex-governante açoriano, que, confrontado pelos jornalistas, se escusou a falar de uma possível carreira nacional.

O Congresso Regional do PS/Açores, que termina no domingo, juntou 272 congressistas para a confirmação de Vasco Cordeiro como novo líder do partido.