Política

Merkel diz acreditar que Portugal vai cumprir memorando

Merkel diz acreditar que Portugal vai cumprir memorando

Pedro Passos Coelho garante que o caminho que está a ser seguido por Portugal é o "único possível" e considerou necessário aprofundar as reformas do Estado. Durante a conferência de Imprensa conjunta, a chanceler Angela Merkel disse compreender os sacrifícios feitos por Portugal mas considerou-os necessários para gerar desenvolvimento e manifestou-se convencida no cumprimento do memorando de entendimento.

Ao longo das declarações iniciais dos dois chefes de Governo durante a conferência de Imprensa que decorreu esta segunda-feira à tarde no forte de S. Julião da Barra, em Oeiras, ficou clara uma ideia: Portugal sofre os efeitos do processo de ajustamento mas esse é um mal necessário para o desenvolvimento futuro.

Pedro Passos Coelho assumiu primeiro a culpa portuguesa: "Não culpemos os nossos parceiros europeus pelos nossos problemas". Na sua declaração o primeiro-ministro destacou ainda o facto de o processo português de reajustamento estar a ser bem sucedido. "Fizemos em dois anos o que se previa que se fizesse até 2016", acrescentou.

Frisando que este caminho de reajustamento "é o único que nos levará ao desenvolvimento", Passos Coelho disse ainda que que é necessário "dar mais profundidade à reforma do Estado e à redução da despesa".

Angela Merkel começou a sua declaração manifestando compreeensão pelo momento difícil vivido por Portugal em que se "sentem os efeitos do processo de ajustamento". A chanceler deixou porém um alerta: "O processo de austeridade não é um fim em si mesmo" mas destina-se a "impedir problemas futuros, aliciar investimentos e gerar desenvolvimento".

A chanceler alemã disse-se ainda convencida de que Portugal vai conseguir cumprir o memorando de entendimento com a 'troika' e de que a sexta parcela do empréstimo internacional deverá ser desembolsada. Merkel afirmou que as cinco avaliações feitas até agora "foram positivas" e que "o programa está a ser cumprido", pelo que acredita que "a sexta parcela deve ser desembolsada".

Angela Merkel insitiu ainda no facto de ser necessário aumentar a competitividade da Europa enquanto bloco, sendo para isso necessário uma "maior coordenação" entre os países a zona Euro. Mais à frente veio a deixar claro que a Alemanha não está interessada numa situação de recessão nos países mais atingidos pela crise.

Questionada sobre os limites da austeridade nos países em dificuldades, Merkel admitiu que a Alemanha poderá ser atingida por essa situação, dado que 60% das suas exportações se fazem no mercado da União Europeia.

"Estamos interessados em que se reganhe a confiança", disse a chanceler, que apontou a necessidade de "orçamentos sólidos" e de reformas para que isso aconteça.

A conferência de Imprensa do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e da chanceler alemã Angela Merkel ocorreu após um almoço de trabalho no forte de S. Julião da Barra, em Oeiras, em que se seguiu a uma audiência de pouco mais de meia hora com o presidente da República, Cavaco Silva.

O avião da Força Aérea alemã que transportava a chanceler aterrou cerca das 11.44 horas em Lisboa, tendo a comitiva de Angela Merkel seguido para o Palácio de Belém, para a reunião com Cavaco Silva.

Depois da audiência no Palácio de Belém, Angela Merkel seguiu para a reunião com Passos Coelho no forte de S. Julião da Barra. O terceiro ponto na agenda da chefe do governo alemão foi o Encontro Empresarial Luso Alemão, no Centro Cultural de Belém.

As cinco horas que se previam viesse a durar a visita de Angela Merkel acabaram por se estender mais um pouco, já que a sua saída do encontro à porta fechada com os empresários terminou depois das 18 horas.

A partida da chanceler para o Aeroporto Militar do Figo Maduro para o regresso à Alemanha acabou por acontecer perto das 18.15 horas.

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