Política

Milhares de portugueses nas ruas contra a troika e Governo

Milhares de portugueses nas ruas contra a troika e Governo

Milhares de portugueses protestaram este sábado nas ruas de várias cidades contra as políticas de austeridade, exigindo a demissão do Governo e a saída da troika do país.

O protesto, que em Portugal foi organizado pelo movimento "Que se lixe a troika", decorreu em 102 cidades europeias de 18 países para contestar as políticas desenvolvidas nos países de intervenção da 'troika' (composta pelo Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional).

Em Lisboa, os manifestantes desfilaram durante a tarde entre a rotunda de Entrecampos e a Alameda D. Afonso Henriques, com passagem pela representação do Fundo Monetário Internacional (FMI), vedado com grades e guardado por mais de dez polícias.

Ao passarem por este local, os manifestantes assobiaram e gritaram palavras de ordem contra a troika e o FMI.

Durante o percurso cantaram a "Grândola, Vila Morena" de Zeca Afonso e gritaram várias palavras de ordem como "FMI fora daqui", "'Troika' escuta, o povo está em luta", "Fora daqui, a fome, a miséria e o FMI" e "Três gatunos a roubar, Passos, Portas e Gaspar".

Na manifestação estiveram presentes várias gerações, nomeadamente reformados que integram o grupo Apre-Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados.

No final dois representantes do movimento "Que se lixe a 'troika'" leram uma declaração a exigir a demissão do Governo e apelaram a participação em vários tipos de protestos, como a greve geral (marcada para 27 de junho), manifestações, boicotes a bancos e cortes de estradas.

No Porto, mais de mil manifestantes desceram a rua dos Clérigos e concentraram-se junto à estátua de Almeida Garrett, na praça General Humberto Delgado, na baixa da cidade, pedindo a demissão do Governo e apelando à greve geral.

O protesto terminou com a realização de uma assembleia popular junto à estátua de Almeida Garrett, onde vários populares tomaram a palavra para referir que "existe alternativa à austeridade", e com a leitura do manifesto "Povos Unidos contra a Troika",

A manifestação no Porto também contou com a presença da Associação de Pensionistas e Reformados (Apre), cujos elementos que se protegiam do sol com guarda-chuvas brancos onde se lia "Não somos descartáveis".

O movimento "Que se lixe a troika" não avançou com o número de portugueses que participaram no protesto, adiantando apenas que foram milhares em "várias" cidades portuguesas, mas participou um menor número de pessoas que noutras manifestações organizadas por este movimento a 15 de setembro de 2012 e a 2 de março deste ano.

Em Paris, centenas de manifestantes originários de Portugal, Espanha, Grécia, Turquia, além de franceses, juntaram-se hoje na Praça do Trocadero, em frente à Torre Eiffel, numa manifestação internacional contra a 'troika' e os "problemas de uma Europa defeituosa", em que se ouviu a "Grândola, Vila Morena".

Em Madrid, sob as palavras de ordem "Todos Unidos Contra a Troika", saíram à rua milhares de pessoas para protestar contra a política de austeridade do Governo conservador espanhol, em cerca de 80 concentrações convocadas pelo coletivo Maré Cidadã, que condena "o grande fracasso das políticas económicas de rigor, os despedimentos, a reforma do trabalho e as privatizações" impostos pela 'troika'.

Em Frankfurt, vários milhares de pessoas, 7 mil segundo a polícia, participaram no centro da cidade numa manifestação contra as políticas de austeridade na Europa, que foi pontuado por alguns incidentes.