Política

Ministra da Justiça não muda agenda nem se choca com "Grândola"

Ministra da Justiça não muda agenda nem se choca com "Grândola"

A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, garantiu, esta quinta-feira, que os protestos de cidadãos merecem a sua compreensão e não a levarão a alterar a sua agenda política. A seu lado, a comissária europeia Viviane Reding felicitou os portugueses por protestarem com música e não com violência.

"Feliz o país em que a oposição se expressa através de uma canção e não através da violência nas ruas", afirmou a comissária europeia da Justiça, no final de uma reunião com Paula Teixeira da Cruz, no Hotel da Quinta das Lágrimas, em Coimbra.

A ministra e a comissária europeia respondiam às perguntas dos jornalistas sobre o facto de os ministros Miguel Relvas e Paulo Macedo terem sido interrompidos em três ocasiões, só esta semana, por manifestantes a cantar o tema "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso.

Esta canção ficou célebre pelo facto de os militares a terem feito transmitir pela antena da Rádio Renascença, às 00.20 horas de 25 de Abril de 1974, como senha para o início da revolução que acabou com a ditadura. No entanto, a ministra da Justiça não se choca por a mesma estar a ser recuperada para contestar um governo eleito em eleições livres.

"Chocar-me, o Grândola Vila Morena?", retaliou a ministra, perante a pergunta de um repórter. "Choca-me, se alguém não deixar que outrem se exprima, isso choca-me. Agora formas de protesto com respeito pelos direitos de terceiros, cantando canções de intervenção, em particular o "Grândola Vila Morena", que tem para nós um simbolismo e que está para nós indissoluvelmente ligado à democracia, não me chocam", acrescentou Paula Teixeira da Cruz.

A ministra disse que, "enquanto as pessoas cantarem o "Grândola Vila Morena", isso significa que estão a apelar... E é preciso entender esses apelos, neste momento duro. Eu compreendo, porque nós vivemos um momento muito duro", concedeu, no recato do Hotel da Quinta das Lágrimas, do advogado José Miguel Júdice, onde ainda assim havia uma forte presença de seguranças pessoais e de elementos da PSP à paisana.

Esta preocupação com a segurança deve voltar a ter lugar esta sexta-feira de manhã, na sessão em que Viviane Reding, vice-presidente da Comissão Europeia, vai responder às perguntas dos cidadãos que acorrerem à Sala dos Capelos, na Universidade de Coimbra.