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Alterações climáticas

Ministra do Ambiente destaca compromisso abrangente assumido em Durban

Ministra do Ambiente destaca compromisso abrangente assumido em Durban

A ministra portuguesa do Ambiente considerou, este domingo, que a cimeira de Durban foi um passo em frente para conter as alterações climáticas, ao aceitar um acordo abrangente, incluindo países poluidores que até agora tinham rejeitado compromissos

"Foi um passo em frente, um passo de que muitos duvidavam, um passo num caminho que será com certeza um caminho de intensas negociações até se chegar ao instrumento de 2015, mas eu diria que nós hoje estamos muito mais optimistas e muito mais bem posicionados para conseguirmos o nosso objectivo de mantermos a subida de temperatura abaixo dos dois graus", afirmou Assunção Cristas, à chegada a Portugal.

A ministra do Ambiente participou em Durban nos trabalhos da cimeira do clima, na qual 194 países concordaram em iniciar as negociações de um novo acordo que os coloque sob o mesmo regime legal e reforce o seu compromisso de controlo da emissão dos gases de estufa, compromisso que deverá entrar em vigor, o mais tardar, até 2020.

"Era preciso que ficasse definido com clareza, do ponto de vista do tempo, como é que se ia processar, e saímos de Durban com a plataforma a dizer-nos que vamos começar a trabalhar para em 2015 já termos um instrumento abrangente e depois, a partir daí, vermos até quando e em que moldes vai entrar em vigor", explicou Assunção Cristas.

A ministra do Ambiente destacou o papel "da liderança" da União Europeia (UE), que "conseguiu agregar junto a si" os países menos desenvolvidos num bloco que juntou mais de 120 países, o que "deu força à Europa para conseguir a viragem de países como os EUA, a China e a Índia", que não ratificaram o protocolo de Quioto.

"Se não chegássemos a esta solução veríamos os maiores emissores de gases com efeitos de estufa a ficar de fora das obrigações, o que seria catastrófico para o planeta", destacou, salientando os "sinais positivos e absolutamente essenciais para que, em matéria de clima, consigamos travar o processo de subida da temperatura".

Assunção Cristas destacou ainda "a acção concertada relevante" adoptada pelos países da CPLP.

"Pela primeira vez houve uma declaração conjunta dos países da CPLP onde se assumia a necessidade do protocolo de Quioto e deste roteiro vinculativo", afirmou, realçando a postura do Brasil, que foi "uma peça importante para ajudar os outros países emergentes a mudarem de atitude".

O pacote aprovado em Durban, após duas semanas de árduas conversações e uma maratona negocial que obrigou a prolongar a cimeira em mais de 24 horas, inclui ainda o estabelecimento do Fundo Verde para o Clima acordado em Cancún, no México, para ajudar os países em desenvolvimento a fazer face aos danos das alterações climáticas.