Política

"Nunca na História de Portugal um Governo se atreveu" a estes aumentos, diz Francisco Louçã

"Nunca na História de Portugal um Governo se atreveu" a estes aumentos, diz Francisco Louçã

O coordenador do Bloco de Esquerda afirmou que, com as medidas anunciadas pelo Governo, "amanhã o país estará pior", considerando que "nunca na História de Portugal um Governo se atreveu" a um aumento tão grande nos impostos.

"Nós temos - de todas as medidas que surgiram hoje [quarta-feira] - uma única certeza: amanhã o país estará pior, daqui a um mês estará pior, daqui a três meses muito pior e daqui a um ano muitíssimo pior", disse Francisco Louçã, numa conferência organizada pela concelhia de Lisboa do Bloco, hoje na capital.

Sublinhando que "o Governo vai aumentar 34 por cento o IRS" (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares), Francisco Louçã afirmou que "nunca na História de Portugal um Governo se atreveu a isto, nunca nem na ditadura nem na democracia".

O deputado bloquista disse ainda que o Governo não se fica pelos impostos diretos, garantindo que "há mais" aumentos de impostos que "o Governo não quis dizer hoje e que escondeu em meias palavras".

Louçã alertou para o facto de o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) ir "disparar para o seu teto" já no próximo ano: "O que o Governo disse sobre o IMI é que vai, depois de a reavaliação que foi feita e que aumentou a generalidade do valor tributável das casas, aplicar imediatamente no próximo ano o disparar do imposto que estava protegido por uma cláusula de ajustamento ao longo de vários anos".

E exemplificou: "Uma casa que tivesse um valor tributável até agora de 400 euros e que fosse reavaliada de modo a que o IMI fosse de 1.000 euros - um salto de 2,5 vezes -, teria uma proteção para que só pudesse pagar 600 euros no próximo ano, um terço do ajustamento, e continuasse assim nos seguintes. Mas, o que o Governo determina agora, contra uma proposta que o próprio PSD e CDS apresentaram, é que o aumento do IMI é imediato".

Para Francisco Louçã, "esta política leva ao abismo, quer a bancarrota, ela não fracassou, ela não se enganou", pelo contrário, refere o deputado, a política do Executivo "quer a bancarrota das famílias, quer baixar os salários, quer habituar as pessoas a viverem cada vez com menos".

Estas declarações do coordenador do Bloco de Esquerda surgem na véspera do debate e da votação da moção de censura apresentada pelo partido contra o Governo, a qual será chumbada pela maioria PSD/CDS.

Louçã entende que há três razões para esta moção de censura ao Governo: "a falta de credibilidade, o efeito social do aumento dos impostos e a incapacidade de governar, de orientar o país, responder às necessidades do país que o PS e do CDS demonstram ter".

Por isso, o deputado parlamentar apelou ainda à união das esquerdas, considerando que "responsável é criar forças que possam ser maioritárias" e travar o executivo de Passos Coelho.

Na quinta-feira, a Assembleia da República vai também votar outra moção de censura ao Governo, apresentada pelo PCP. Também esta deverá ser chumbada pela maioria parlamentar e, tal como a do Bloco, contar com a abstenção do PS.

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