Política

"Onda gigante" vai hoje dizer basta e pedir a demissão do Governo

"Onda gigante" vai hoje dizer basta e pedir a demissão do Governo

A manifestação de 15 de setembro de 2012 deixou a fasquia demasiado elevada. Terá juntado, em Lisboa, um milhão de pessoas. Mas, para o movimento "Que se lixe a Troika!", mais importante do que superar números são os recados que querem deixar ao Governo: "basta e demita-se".

E à "onda que tudo destrói" vão opor a "onda gigante da indignação", enchendo as ruas, como explicam no manifesto que subscrevem. Exigem, desde logo, que os valores de Abril não se percam ou sejam destruídos. Por isso, a segunda senha da revolução de 1974, entretanto transformada em hino da liberdade, foi a canção escolhida para, em Lisboa, rematar essa "onda gigante", que começa no Marquês de Pombal e acaba no Terreiro do Paço.

Se a 15 de setembro os movimentos sociais e os sindicatos já davam sinais de que poderiam aproximar-se, agora essa aliança está consumada. A CGTP decidiu apoiar de forma clara a manifestação, tal como vários deputados e militantes do PS, PCP e BE.

"Os portugueses têm o direito e, até o dever, de se manifestarem, perante uma situação social e económica de "prérrutura iminente", argumentou o secretário-geral do PS, António José Seguro.

"Um país com 900 anos de história não baixa os braços. É um imperativo ético e moral de todos os cidadãos para com aqueles que já passam fome, estão sem esperança e sem vida", avançou, por outro lado, Deolinda Machado, da direção da CGTP, acrescentando que a manifestação de hoje pode superar o protesto de 15 de setembro.

Apesar disso, o ministro da Administração Interna, já veio garantir que "não há nenhum stress especial" em relação às manifestações marcadas para várias cidades do país. Miguel Macedo frisa que as manifestações não são problemas de segurança interna, mas um "exercício de direitos dos cidadãos".

Em declarações aos jornalistas, no final das comemorações do Dia da Proteção Civil, deixou também uma garantia, com um apelo implícito: "Eu tenho a certeza que as manifestações que amanhã vão ocorrer não vão fugir àquilo que tem sido regra em Portugal. São manifestações de gente responsável, ordeira, que expressa de uma forma elevada as suas opiniões".

Duarte Marques, deputado do PSD e ex-líder da JSD, não nega que "há muitos motivos para as pessoas protestarem", mas lembra que "este é um país que fez uma revolução com cravos". Contudo, sustenta que o "Governo e a Maioria devem sempre retirar consequências do que se passa na sociedade, emendando o que está mal e prosseguindo com o que está a correr bem".

Canção "é agregadora"

Para Boaventura Sousa Santos, professor catedrático de Sociologia na Universidade de Coimbra, o Governo "é cego" e tem vindo a desvalorizar os sinais emitidos pela sociedade. Teme, por isso, uma "explosão social".

A seu ver, a canção "Grândola, Vila Morena, que "é o DNA da democracia portuguesa", constitui um elemento importante de agregação do descontentamento crescente, porque "os velhos ainda se lembram e os novos aprendem". Mais do que agregador, Boaventura Sousa Santos entende que o tema de Zeca Afonso é "um mandato de demissão do Governo".

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