Alberto João Jardim

Oposição deixa Jardim a discursar para a bancada do PSD

Oposição deixa Jardim a discursar para a bancada do PSD

O presidente do Governo Regional da Madeira discursou sobre a moção de confiança apenas para a bancada do PSD, uma vez que a oposição se ausentou da sessão, em resposta ao executivo ter abandonado a sala durante as intervenções partidárias.

"Não vim discutir questões domésticas tontas, mas para que o parlamento entre com o governo numa grande mobilização para se mudar o país", disse Alberto João Jardim na intervenção final da sessão destinada a discutir a moção de confiança que foi aprovada com os votos a favor da maioria do PSD e os votos contra de toda a oposição.

"Venho pedir uma mobilização. O problema de Portugal é o regime político e temos de acabar com este regime político", sublinhou o líder madeirense.

O governante insular considerou que o debate se "pessoalizou", apontando que se falou mais no seu "nome que na moção de confiança e nos problemas da Madeira".

Dirigindo-se aos jovens de uma escola que assistiu à sessão nas galerias, Jardim disse que quando assumiu funções "encontrou uma terra que era a mais atrasada de Portugal", explicando que foi necessário de ir buscar fundos para o desenvolvimento, o que contribuiu para a situação da dívida e levou ao programa de ajustamento económico e financeiro "desenhado pelo Governo da República".

O líder madeirense assegurou que, apesar de toda a polémica em torno da dívida da Madeira, esta foi apurada e "quando foi a eleições", há 17 meses, "o povo sabia claramente que o valor era de 6,2 milhões de euros".

O governante falou do programa de ajustamento económico que teve de ser negociado, salientando que o Governo da República ainda "não libertou a terceira e quarta tranches no valor de 35,7 milhões de euros" do empréstimo, nem concretizou o aval de 1,1 milhões de euros que permitira a regularização da dívida a 72% dos credores da região, num valor inferior a 50 mil euros, "com receitas próprias".

Quanto à Lei de Meios, destinada a fazer face aos prejuízos do temporal de 20 de fevereiro de 2010, Jardim mencionou que, das verbas consignadas, a República "até agora só satisfez 50 milhões/ano", existindo ainda um "calote de 460 milhões de euros".

O responsável criticou ainda a "vergonhosa lei das finanças regionais" e adiantou que "o PSD da Madeira não subscreve a política do Governo da República".

Alberto João Jardim referiu-se também às notícias relacionadas com a intenção de transformar a ilha da Terceira "numa Singapura do Atlântico [referindo-se a alegadas contrapartidas da saída norte-americana da base das Lajes, nos Açores]" e depois "retiram, sabotam, criam problemas à zona franca da Madeira".

"Isto é um ataque à integridade do povo madeirense e só pode ter uma resposta o mais radical possível", disse.

Para o líder social-democrata madeirense, "acabou, não vale a pena fazer mais o jogo do regime, o jogo do sistema", admitindo, numa curta resposta a uma provocação de um deputado da oposição, "se for necessário, sim", pode passar pela independência da Madeira.