Política

Passos Coelho não exclui que carga fiscal se prolongue para 2014

Passos Coelho não exclui que carga fiscal se prolongue para 2014

O primeiro-ministro recusou-se, esta quarta-feira, em entrevista à TVI, comprometer-se com uma baixa de impostos a partir de 2014 e não excluiu sequer que as medidas adotadas no Orçamento do Estado para o próximo ano se mantenham nos seguintes.

O primeiro-ministro não afasta a hipótese de a elevada carga fiscal de 2013 se manter em 2014. Em entrevista à TVI, garantiu que o corte de quatro mil milhões no Estado avança, mesmo que PS não alinhe.

Na primeira entrevista após a aprovação do Orçamento do Estado (OE), Passos Coelho sustentou que "este nível de fiscalidade não vai eternizar-se". Contudo, não só recusou comprometer-se com a baixa de impostos em 2014 - "é preciso consolidar primeiro as contas", disse - como não pôs de parte que as medidas previstas no documento, incluindo cortes de pensões, se mantenham inalteráveis para lá do próximo exercício orçamental.

"As as políticas de ajjustamento têm custos e trazem muita dor", reconheceu, sublinhando que "nunca ninguém me ouviu dizer que ia ser pera doce. Custa muito!" Porém, mantém inalterada a estratégia: não quer renegociar o memorando da troika ou propor um novo programa. E nem sequer dá sinais de que aproveita o "efeito Grécia". Sobre o acordo que aligeirou as condições do empréstimo àquele país, fez comentários vagos e aproveitou para criticar a "máxima" de António José Seguro sobre "mais tempo e mais dinheiro".

Numa entrevista em que repetiu por três vezes que o OE 2013 não é seu e o ministro das Finanças - assim procurando comprometer todo o Governo e os partidos da Maiooria - Passos Coelho esforçou-se por salientar os aspetos positivos da governação, como o equilíbrio das contas externas prestes a ser alcançado e o acordo com os sindicatos dos médicos.

Acerca da chamada reforma do Estado, evitou pormenores, apenas admitindo que possam vir a ser repartidos entre o privado e o Estado os custos da Educação, que implicam copagamentos neste setor e no da Educação. Mas não deixou dúvidas quanto ao alvo do corte de quatro mil milhões de euros que se comprometeu perante a troika: "Temos de mexer nas pensões, nas despesas de saúde e de educação, mas também nas funções de soberania".

O timing está fixado: até fevereiro, o Governo traça o plano - agora também com o apoio da OCDE. "Não deixarei de o fazer porque o PS não está disponível", garantiu Passos, admitindo que "melhores medidas" que venham a ser propostas até ao verão poderão ser propostas à troika.