Política

Passos ignora pergunta sobre cortes no Estado e diz que está a preparar o futuro

Passos ignora pergunta sobre cortes no Estado e diz que está a preparar o futuro

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu, esta sexta-feira, que Portugal recuperou credibilidade internacional e, embora ainda sejam necessários sacrifícios, está em condições de andar pelo seu próprio pé se mantiver a disciplina. O líder do Governo ignorou pergunta de Seguro, sobre os cortes no Estado social.

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho ignorou, esta sexta-feira, as perguntas do secretário-geral do PS, António José Seguro, sobre o corte de quatro mil milhões de euros que o Executivo se comprometeu a apresentar à "troika" durante o mês de fevereiro.

Seguro questionou Passos Coelho sobre o montante poupado com as rendas energéticas e reiterou a ideia de que muitas falências e sacrifícios poderiam ter sido poupados se, como defendia o PS, o BCE tivesse intervindo mais cedo nos mercados.

Passos respondeu, mas ignorou por completo a outra questão. Como vai cortar o governo os quatro mil milhões com que se comprometeu com a "troika". O líder do PS exigiu, ainda, que o Governo dê explicações no Parlamento antes de enviar o plano de cortes para a "troika".

Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, insistiu em saber se o Governo tem estudos sobre os efeitos do corte de quatro mil milhões, mas o primeiro-ministro limitou-se a dizer que se não houver cortes as condições de financiamento à economia agravar-se-ão, sem especificar onde vão ser os cortes e quais os efeitos deles na economia.

"O senhor primeiro-ministro não faz a mínima ideia do que vai acontecer a Portugal com o corte de quatro mil milhões", concluiu a coordenadora do Bloco de Esquerda.

A deputada Heloísa Apolónia, de "Os Verdes", desafiou Passos Coelho a dizer se subscreve as palavras de Fernando Ulriche, quando o presidente executivo do BPI afirmou que "se os sem abrigo aguentam, todos temos que aguentar" a austeridade, mas o primeiro-ministro limitou-se a dizer: "Não tenho ações nem contas no BPI".

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, quis saber como vai a EDP ressarcir os consumidores de algumas zonas do centro do país que ficaram vários dias sem energia elétrica na sequência do temporal.

O chefe do Executivo não respondeu à questão e descartou qualquer tipo de responsabilidades, dizendo que "o Governo não manda nas mudanças do tempo, nem é responsável pelas calamidades físicas".

Antes, na abertura do debate quinzenal, no parlamento, o primeiro-ministro acendeu uma pequena luz. "Sabemos que ainda teremos de fazer sacrifícios, mas há uma coisa que hoje o país, mesmo aquele que não entende a tecnicidade dos problemas, percebe: Estamos a preparar o futuro para além da "troika", estamos finalmente a dar um horizonte de esperança aos portugueses que estão desempregados", afirmou Pedro Passos Coelho.

"E estamos finalmente a dizer ao país que poderemos andar pelo nosso próprio pé desde que naturalmente não voltemos os mesmos erros e nos mantenhamos empenhados na disciplina pública e na racionalidade económica privada", acrescentou o primeiro-ministro.

* com Lusa