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PCP: "Trata-se de retirar tanto ou mais do que com a TSU"

PCP: "Trata-se de retirar tanto ou mais do que com a TSU"

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considera que o ministro das Finanças anunciou "mais um escandaloso roubo aos trabalhadores e ao povo", sublinhando que "vai retirar tanto ou mais" do que com o aumento da TSU.

"O senhor ministro das Finanças acabou de anunciar mais um escandaloso roubo aos trabalhadores e ao povo. Trata-se de retirar tanto ou mais do que seria retirado com um aumento de 7% à TSU dos trabalhadores, sem que esteja excluída a diminuição da contribuição do patronato", disse Jerónimo de Sousa, durante uma conferência de imprensa no Parlamento.

Segundo o líder do PCP, "independentemente da capacidade de ilusionismo do ministro das Finanças" e do seu "discurso técnico", o que ele anunciou foi um "aumento global da taxa média em cerca de 35% do IRS", o que significa o corte de um subsídio no setor privado e de dois no público.

A devolução de um subsídio no setor público "é falso" e "os números que foram anunciados são estes", sublinhou Jerónimo de Sousa.

"É um roubo feito por outra via que atinge à mesma os salários dos trabalhadores da administração pública, mas também agora do setor privado. Ainda por cima, o Governo quer fazer os trabalhadores e os pensionistas de parvos, a fingir que não retira o que afinal vai retirar de forma agravada", acrescentou.

Para Jerónimo de Sousa, optar por subir o IRS, é sinónimo de baixar salários mas também de "poupar particularmente a tributação ao capital".

O líder do PCP sublinhou ainda que Vítor Gaspar "de forma precisa e concisa referiu aquilo que vai retirar aos trabalhadores e reformados", mas "para o capital, quanto muito, [fez] o anúncio de uma autorização legislativa".

"E a diferença não esta só naquilo que se cobra, está naquilo que se tem. É que os trabalhadores, os reformados, os pensionistas o povo em geral, vivem já com grandes dificuldades enquanto que o grande capital continua a abotoar-se com milhões de euros de lucro", acrescentou, lamentando em seguida que o ministro das Finanças tenha feito "um discurso de palha de 25 minutos a falar de sucessos que depois termina dizendo que o desemprego vai aumentar, o PIB diminuir e a austeridade continuar".

A isto se soma, destacou, a previsão de mais cortes nas despesas sociais, na segurança, na defesa e "a ameaça de despedimentos na administração pública".

Para Jerónimo de Sousa, os anúncios de hoje "só reforçam o valor" da moção de censura do PCP ao Governo, que será debatida na quinta-feira no Parlamento, e considerou que estas medidas continuam a ser ilegais, não excluindo o envio para o Tribunal Constitucional do próximo Orçmento.

Mas, acrescentou, "o combate fundamental é de quem vai mais uma vez ser espoliado do seu salário" .

"Quando os trabalhadores, os reforma e pensionistas perceberem que o ministro das Finanças tentou vender gato por lebre, com certeza reagirão, continuarão a luta até romper com esta politica e por fim a este governo", afirmou.