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Portugueses mais livres, mais pobres e inseguros

Portugueses mais livres, mais pobres e inseguros

Portugal é hoje um país mais livre e mais democrático, mas, também, um país mais pobre e mais inseguro. Resultado: 40 anos depois do 25 de Abril, 83% dos portugueses não estão satisfeitos com a maneira como funciona a democracia.

O tempo passa e o estado da democracia piora. No barómetro de 2001, 76% dos portugueses manifestavam insatisfação pela forma como funcionava a democracia; agora, 40 anos depois da Revolução dos cravos, o valor revelado no estudo produzido pela Universidade Católica para o JN, DN, RTP e Antena 1 sobe para 83%. Uma leitura transversal independentemente da cor partidária, embora os eleitores do PSD sejam aqueles que evidenciam menor razão de queixa.

As razões para tanto descontentamento começam a sentir-se quando os inquiridos são chamados a comparar o Portugal de hoje com o de antes do 25 de Abril em matérias concretas. Se é um dado adquirido que agora há mais liberdade (80%) e mais democracia (65%), o país perde para o passado na segurança (53% dizem que é mais inseguro), na Justiça (45% respondem que há menos) e na riqueza (62% consideram que é mais pobre).

Mantendo a linha que separa o Portugal de agora daquele que o 25 de Abril deixou para trás, são mais os inquiridos que consideram que as condições de trabalho são piores (49%) do que os que as julgam melhores (40%). Melhor só mesmo o tempo para lazer, embora a maioria (56%) reconheça que há hoje maior qualidade de vida.

Entre as conquistas dos últimos 40 anos, o direito de voto para todos surge no topo da tabela (71%), logo seguido do Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuito e universal (69%) e de uma maior igualdade entre homens e mulheres (66%).

Duas décadas depois da queda do antigo regime, a grande maioria dos portugueses (85%) entende o 25 de Abril como uma data de todos - 10% dos inquiridos associam-na a pessoas de Esquerda -, mais do que os 65% que consideram que a revolução contribuiu mais para a democracia do que o 25 de Novembro de 1975.

Ficha Técnica

Esta sondagem foi realizada pelo CESOP - Universidade Católica Portuguesa para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias nos dias 12, 13 e 14 de

abril de 2014. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezanove freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até que os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2009 e 2011 nesse conjunto de freguesias (ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma) estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1117 inquéritos válidos, sendo que 59% dos inquiridos eram do sexo feminino, 31% da região Norte, 21% do Centro, 36% de Lisboa, 6% do Alentejo e 6% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 67%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1117 inquiridos é de 2,9%, com um nível de confiança de 95%.

* A taxa de resposta é estimada dividindo o número de inquéritos realizados pela soma das seguintes situações:

inquéritos realizados; inquéritos incompletos; e recusas.