Política

PSD diz que PS "não está preparado para governar"

PSD diz que PS "não está preparado para governar"

O PSD considerou esta segunda-feira, no Porto, que a postura dos socialistas quanto à extinção da ADSE é "um pouco caricata" e "mostra claramente que o PS não está preparado para governar".

A posição social-democrata foi veiculada pelo deputado Couto dos Santos, numa declaração à comunicação social na sede distrital do partido, durante a qual os socialistas foram acusados de "contradições permanentes que são uma desilusão enorme".

"Quanto o secretário-geral [do PS] propôs a redução de deputados, o seu grupo parlamentar veio dizer que não. Agora vem o porta-voz para a Saúde dizer para se extinguir a ADSE e o presidente do seu grupo parlamentar veio dizer que não", ilustrou Couto dos Santos.

O deputado conclui que "não é possível um partido que pretende ser alternativa ter esta atitude de contradição permanente".

O PSD comentou deste modo declarações do coordenador do PS na área da Saúde, Álvaro Beleza, em entrevista ao Jornal de Notícias, e a reação do líder parlamentar socialista, Carlos Zorrinho.

Álvaro Beleza, membro do Secretariado Nacional do PS, afirmou que, caso os socialistas regressem ao Governo, a ADSE deverá ser extinta, considerando que este subsistema de saúde é gerador de injustiças na sociedade portuguesa.

Em declarações aos jornalistas, esta segunda-feira, após a sessão de abertura das Jornadas Parlamentares do PS, em Viseu, Carlos Zorrinho negou que a extinção da ADSE se encontre nos planos dos socialistas.

Também em Viseu, o ex-ministro da Saúde Correia de Campos defendeu a substituição da ADSE por um novo mecanismo de mutualização social na área da saúde, alegando que este sistema é mau e não permite a integração.

Com base no que disse Álvaro Beleza, Couto dos Santos realçou que "há no PS quem tenha propostas para lançar" sobre o assunto, visando "responder ao desafio do Governo quanto à refundação do Estado", acrescentando que elas são "bem-vindas, porque está tudo em aberto".

"O que é preciso é que o PS diga o que é que quer: ou diz sim ou diz não. Afinal o que é quer para o Estado", reforçou.

Questionado sobre qual é, por sua vez, a posição do PSD sobre a ADSE, Couto dos Santos, respondeu: "O Governo vai fazer uma grande discussão sobre a matéria. Não afirmou ainda o que vai fazer porque quer discutir com o povo português o que é que deve ser feito".

"Os portugueses é que têm de dizer o que querem: ou mais impostos ou então redução do peso do Estado", resumiu.

O deputado social-democrata, antigo ministro dos Assuntos Parlamentares e depois titular da pasta da Educação admitiu que no seu partido "poderá haver" também diferentes posições sobre a ADSE. "Mas o que é importante é que as pessoas discutam e cheguem a consenso formalizado para que o país entenda se um partido tem ou não credibilidade".

"É isso que o PSD quer fazer. Tudo o que consta do relatório do FMI está em aberto", declarou, considerando que o PSD tem procurado envolver o PS na discussão sobre o Estado.