Política

PSD, PS e CDS-PP analisaram situação económico-financeira do país

PSD, PS e CDS-PP analisaram situação económico-financeira do país

PSD, PS e CDS-PP anunciaram esta terça-feira ter analisado documentos sobre a situação económico-financeira nacional, numa reunião na qual participou Maria Luís Albuquerque, ministra de Estado e das Finanças, integrada na delegação social-democrata.

"Na reunião aprofundaram-se os temas e analisaram-se documentos sobre a situação económico-financeira do país. Os trabalhos prosseguiram de forma intensa, tendo as delegações partidárias acordado continuar as reuniões amanhã [quarta-feira] com a apresentação de contributos escritos com vista à obtenção de um 'compromisso de salvação nacional' com a máxima brevidade", referem comunicados, de conteúdo igual, divulgados pelos três partidos.

O encontro entre PSD, PS e CDS-PP realizou-se na sede dos centristas, no Largo do Caldas, em Lisboa, e foi o terceiro oficialmente divulgado com vista a um acordo de médio prazo proposto pelo Presidente da República, Cavaco Silva.

Segundo as notas divulgadas pelos três partidos, "esteve presente na reunião, como observador para assegurar um conhecimento regular ao senhor Presidente da República, David Justino, assessor da Presidência da República", como já tinha acontecido na reunião de segunda-feira.

Nos comunicados emitidos esta terça-feira, PSD, PS e CDS-PP afirmam que "o Governo não participa nas referidas reuniões", apesar da presença de vários ministros e secretários de Estado, incluídos nas delegações da maioria, mas sim, "exclusivamente, representantes dos partidos políticos e um representante do Presidente da República como observador".

Esta afirmação vai no mesmo sentido de uma nota emitida na segunda-feira ao final do dia pelo PS.

Esta terça-feira, a delegação do PSD foi novamente liderada pelo primeiro vice-presidente do partido Jorge Moreira da Silva e integrou Miguel Poiares Maduro [ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional], Carlos Moedas [secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro] e Maria Luís Albuquerque [ministra de Estado e das Finanças].

Miguel Poiares Maduro e Carlos Moedas já tinham estado presentes na reunião de segunda-feira, que decorreu na sede do PS, no Largo do Rato, em Lisboa.

As delegações do PS e do CDS-PP foram as mesmas de segunda-feira. A dos socialistas foi liderada pelo dirigente Alberto Martins e integrando Eurico Brilhante Dias [membro do Secretariado Nacional] e Óscar Gaspar [assessor da direção do PS para os assuntos financeiros]. A equipa do CDS-PP foi chefiada por Pedro Mota Soares [dirigente centrista e ministro da Solidariedade e da Segurança Social] e contou também com Miguel Morais Leitão [dirigente centrista e secretário de Estado adjunto e dos Assuntos Europeus].

Na quarta-feira da semana passada, o Presidente da República fez uma comunicação ao país, na qual propôs um acordo de médio prazo entre PSD, CDS-PP e PS, a que chamou "compromisso de salvação nacional", assente em "três pilares".

Segundo o Presidente da República, em primeiro lugar, o acordo entre PSD, PS e CDS-PP "terá de estabelecer o calendário mais adequado para a realização de eleições antecipadas" e "a abertura do processo conducente à realização de eleições deve coincidir com o final do Programa de Assistência Financeira", prevista para junho de 2014.

Em segundo lugar, deve assegurar o apoio às medidas necessárias para que o Estado português regresse ao financiamento nos mercados no início de 2014 e para que se complete "com sucesso" o referido programa de resgate a Portugal que esses três partidos subscreveram em 2011.

O chefe de Estado disse pretender, em terceiro lugar, que esse acordo tripartido inclua um comprometimento "entre os três partidos que assegure a governabilidade do país, a sustentabilidade da dívida pública, o controlo das contas externas, a melhoria da competitividade da nossa economia e a criação de emprego" após as próximas legislativas.

Na sequência desta proposta, a maioria PSD/CDS-PP expressou disponibilidade para a procura de um acordo com o PS, mas frisou a existência de uma solução governativa estável. Os socialistas, por sua vez, também aceitaram participar, reiterando, contudo, que rejeitam participar ou apoiar qualquer solução de Governo antes de novas eleições.