Política

PSD, PS e CDS só discutiram o método das conversações

PSD, PS e CDS só discutiram o método das conversações

Da primeira reunião formal entre os principais partidos, com vista ao "compromisso de salvação nacional" exigido por Cavaco Silva, não saiu mais do que a definição da metodologia de trabalho. Neste primeiro encontro foi fixada uma semana para "dar boa sequência aos trabalhos" para o acordo.

O secretismo em torno das conversações é, por ora, a regra que as três formações políticas se impõem - daí que nem o local da primeira reunião, ontem realizada, tenha sido revelado.

Depois de oficializados os nomes dos chefes das delegações - Alberto Martins (PS), Jorge Moreira da Silva (PSD) e Pedro Mota Soares (CDS) - soube-se apenas que no arranque do processo foi discutida a metodologia. O calendário para concretizar uma plataforma mínima de entendimento baseada nos pressupostos estabelecidos pelo presidente (ler caixa) é ainda difuso. Os partidos fixaram um prazo de uma semana para "dar boa sequência aos trabalhos", o que não significa que, findo esse prazo, assinem um acordo.

Ainda as negociações não tinham arrancado e já o PS anunciava uma posição que, certamente, marcará o processo: na quinta-feira, votará a favor da moção de censura dos Verdes. "O PS tem vindo, com toda a naturalidade, a censurar o funcionamento deste Governo, que é um Governo esgotado e falhado", justificou o líder parlamentar, Carlos Zorrinho, lembrando que tomou há dois meses idêntica iniciativa.

Os socialistas, que em nome da transparência inseriram ontem no site do partido uma cronologia dos acontecimentos, desde que Cavaco falou ao país, não encontram contradição entre o diálogo com PSD e CDS e a censura ao Governo. Isto porque sempre se afirmaram indisponíveis para a partilha de responsabilidades governativas com aqueles partidos ou sequer para o apoio, em sede parlamentar.

António José Seguro defendia a inclusão nas conversações de todos os partidos com assento parlamentar. Só aceitou indicar o representante do PS depois de PCP e Bloco confirmarem o que se esperava: que não contem com eles para embarcarem no "acordo de regime".

A demarcação de comunistas e bloquistas não fez diminuir o tom das suas críticas ao PS. Esse, porém, pode ser o menor dos problemas a enfrentar por Seguro. É que começam a surgir focos de contestação na ala esquerda do partido. Ontem, em entrevista ao "Diário de Notícias", Manuel Alegre disse que se o PS alinhar no compromisso "fica amarrado ao Governo e chegará às eleições desgastado".

Marcação até a indicar os representantes

Os três partidos que aceitaram o desafio de Cavaco Silva para negociarem um compromisso têm vindo a dedicar-se a um jogo de marcação mútua. O primeiro a revelar o nome do seu representante nas conversações foi o PS, ao fim da manhã de ontem. A informação de que o PSD designara Jorge Moreira da Silva já corria, sem confirmação, desde sábado, mas só foi oficializada depois de se saber o nome do dirigente socialista Alberto Martins. O CDS fez questão de informar que comunicara ao presidente da República o nome de Pedro Mota Soares na passada quinta feira, não o divulgando antes por "uma questão de reserva".

Todos os partidos decidiram dar conta ao presidente da República das suas decisões nesta matéria. A atitude revela a intenção de amarrarem Cavaco Silva ao processo que incentivou, mas que desejava fosse consumado pelos destinatários, sem a sua intervenção direta.