António José Seguro

Seguro disse a Cavaco que país não aguenta mais austeridade

Seguro disse a Cavaco que país não aguenta mais austeridade

O secretário-geral do PS, António José Seguro, transmitiu, esta sexta-feira, ao presidente da República, Cavaco Silva, que não são possíveis "mais medidas da austeridade" porque o país vive na iminência de uma "rutura social".

"Os portugueses não aguentam mais sacrifícios e não são possíveis mais medidas de austeridade. Vivemos na iminência de uma rutura social", afirmou António José Seguro à saída de uma audiência com o Presidente da República, que qualificou de um encontro "muito importante e muito profícuo".

O líder socialista e o Chefe de Estado estiveram reunidos mais de uma hora e meia, num encontro que se realizou a pedido de António José Seguro, três dias antes do início da sétima avaliação da 'troika', na próxima segunda-feira.

"Considero que o país está a viver uma degradação acelerada da situação social e situação económica, estamos a caminho de um milhão de desempregados, uma espiral recessiva em termos económicos e é necessário pôr um travão a esta situação", afirmou.

"O Governo pode querer fazer de conta, mas não é possível fazer mais de conta. É necessário mudar, é necessário mudar a trajetória de consolidação orçamental e é necessário mudar de caminho, responder aos problemas do desemprego, responder à necessidade de colocarmos a nossa economia a crescer", declarou.

O secretário-geral do PS defendeu ainda que os portugueses têm não só o "direito", mas "o dever" de se manifestarem "livremente" e dizerem "o que pensam", dada "a situação a que o país chegou".

"Eu obviamente que lamento e censuro todos os abusos, tudo aquilo que vai além da liberdade de expressão. Agora, os portugueses têm todo o direito de se manifestar livremente e de dizer o que pensam. Eu diria mesmo, têm o dever, perante a situação a que o país chegou", afirmou António José Seguro.

Seguro comentou as manifestações recorrentes dos últimos dias, nomeadamente junto a locais em que se encontram ministros e que têm inclusivamente interrompido eventos, cantando "Grândola, vila morena".

"A liberdade de expressão é um direito que tem que ser respeitado e todos os portugueses têm direito a expressar-se livremente, dizendo o que pensam, quer concordando, quer discordando", afirmou.

O secretário-geral socialista disse aos jornalistas que estas tinham sido "em síntese" as ideias que tinham transmitido ao presidente da República.

"Este é um momento que nós não podemos perder, porque estamos em vésperas de uma avaliação da "troika' e, como sabem, considero que deve ser uma avaliação política e não uma avaliação técnica e nós não estamos em condições de perder este momento, esta oportunidade, para mudar toda a nossa estratégia de consolidação orçamental e colocar a prioridade no crescimento económico e no emprego", afirmou.

Seguro sublinhou a existência de uma "taxa recorde de desempregados", a caminho, segundo as previsões hoje reveladas pela Comissão Europeia, de um milhão de desempregados, com 40% de desemprego entre os jovens e "mais de metade dos desempregados sem qualquer tipo de proteção social".

"A paz social é uma das características do nosso país, nós não podemos correr riscos e, por isso, temos que abandonar as políticas de austeridade e concentramo-nos numa estratégia credível do nosso ajustamento, dando prioridade ao crescimento da economia", afirmou.

Seguro disse não entender as declarações do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em Viena, na Áustria, que afirmou que o país está "na direção certa".

"Basta aliás andar pelo país, falar com os portugueses, para perceber que é necessário mudar a nossa trajetória de consolidação. Não compreendo, nem nenhum português compreende, como é que o senhor primeiro-ministro insiste na mesma receita", afirmou.

"A responsabilidade do Governo é reconhecer que falhou e aproveitar esta oportunidade para renegociar as nossas condições do programa de ajustamento. Este é o momento em que tem que se dizer aos nossos credores, dizer à "troika', que há outro caminho para fazer a consolidação das contas públicas, um caminho credível, mas que tenha como prioridade o combate ao desemprego", insistiu.

A última audiência entre o chefe de Estado e o líder do PS aconteceu a 6 de novembro de 2012, num encontro que durou hora e meia e no final do qual António José Seguro disse que os socialistas estavam indisponíveis para participar no corte de quatro mil milhões de euros em áreas sociais, mas tinham "disponibilidade" para debater a "modernização" do Estado.