Austeridade

Seguro diz que país precisa de primeiro-ministro que dê sentido aos sacrifícios

Seguro diz que país precisa de primeiro-ministro que dê sentido aos sacrifícios

O secretário-geral socialista acusou Passos Coelho de ter esbanjado a oportunidade de um diálogo construtivo com o PS e disse que o país precisa de outro primeiro-ministro, que "dê sentido aos sacrifícios dos portugueses".

António José Seguro, que falava em Aveiro na apresentação de Eduardo Feio como candidato do PS à Câmara local, afirmou que "o país vive à beira de uma rutura social", sem que o primeiro-ministro seja capaz de reconhecer que a sua estratégia falhou.

"Durante os 21 meses de governação, o primeiro-ministro pediu aos portugueses pesados sacrifícios e em troca comprometeu-se a ter um défice orçamental de 4,5% e uma dívida pública de 113% da riqueza nacional. Terminou 2012 e o défice não foi de 6,6% e a dívida superior a 122%. A execução orçamental, hoje revelada já quase à noitinha, demonstra que o Governo não está a fazer a consolidação orçamental", criticou.

Para António José Seguro, "se os resultados são maus, as consequências são dramáticas", com um milhão de desempregados no final do ano, meio milhão dos quais sem apoio social e 40% dos jovens sem trabalho.

"Este primeiro-ministro merece continuar em funções? É este o primeiro-ministro que o país precisa? Num momento de tantas dificuldades, precisamos de um outro primeiro-ministro que mobilize, que inspire, que coloque horizontes, que dê sentido aos sacrifícios e saiba conciliar o rigor e a disciplina orçamental, mas dando prioridade aquilo que é o principal problema dos portugueses: o combate ao desemprego", declarou.

O líder socialista considerou que Passos Coelho devia reconhecer que a sua estratégia falhou, de ter a humildade de pedir desculpa aos portugueses e de ter a capacidade para mudar de rumo", conforme o PS exigiu durante ano e meio.

António José Seguro salientou que o chefe de Governo durante todo esse tempo ignorou as várias propostas do PS, quer nos debates orçamentais, quer em matérias de opção estratégica para a consolidação das contas públicas.

"Nunca o primeiro-ministro nos quis ouvir e mesmo quando, recentemente, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, manifestou disponibilidade para discutir algumas das propostas e das medidas do PS, cinco dias depois, o primeiro-ministro veio fechar a porta e recusá-las", acusou.

Na sua intervenção, António José Seguro justificou assim a moção de censura que anunciou, já que o primeiro-ministro "aplica uma receita que não cumpre nenhum objetivo, que aumenta o desemprego, baixa a economia, insiste em mais austeridade e não aceita nenhuma proposta, que esbanja a oportunidade de um diálogo político sério e construtivo com o principal partido da oposição e que reduz aos mínimos o diálogo social", numa alusão ao salário mínimo.