Política

Vítor Gaspar acusa PCP de irresponsabilidade e de atentar contra a paz social

Vítor Gaspar acusa PCP de irresponsabilidade e de atentar contra a paz social

O ministro de Estado e das Finanças acusou esta segunda-feira o PCP de optar "pela irresponsabilidade e pela bancarrota" ao apresentar uma moção de censura ao Governo e insistir na reestruturação da dívida pública rejeitada em eleições.

Durante o debate da moção de censura do PCP ao Governo, no Parlamento, Vítor Gaspar acusou ainda os comunistas de fazerem tudo para quebrar o "ambiente de paz e diálogo social" em Portugal, que apontou como indispensável para o sucesso do país.

Por outro lado, o ministro de Estado e das Finanças alegou que o Governo PSD/CDS-PP conseguiu um "progresso" na correção dos desequilíbrios macroeconómicos e dos níveis de endividamento "digno de registo" e uma "redução significativa dos diferenciais de juros da dívida pública portuguesa".

Contudo, Vítor Gaspar considerou que o Governo tem de gerir permanentemente "riscos e incertezas consideráveis", que nunca escondeu dos portugueses, e acrescentou: Se o sucesso for certo, a crise estará ultrapassada. Se o fracasso for certo, não teremos apenas crise, mas antes uma catástrofe".

Em seguida, o ministro das Finanças referiu-se à moção de censura do PCP ao Governo como uma iniciativa que "não surpreende", porque vem de um partido que há um ano fez campanha eleitoral contra o programa de assistência financeira a Portugal.

"A sua posição foi examinada pelos portugueses, foi a votos: o PC obteve menos de 8 por cento", assinalou.

Segundo Vítor Gaspar, o PCP veio hoje insistir "na sua estratégia errada e irresponsável" de "reestruturação da dívida", mas "o país rejeitou e continua a rejeitar a opção pela irresponsabilidade e pela bancarrota".

O ministro das Finanças alegou que essa opção "penalizaria os mais desfavorecidos e os mais vulneráveis" e levaria a "um brutal e imediato empobrecimento do país" e acusou os comunistas de esconderem "estes custos brutais, revelando uma indiferença irresponsável pelos resultados concretos".

Por outro lado, Vítor Gaspar observou que a moção de censura do PCP "é o exercício de um direito democrático", o que suscitou a seguinte reação da parte da bancada comunista: "Obrigadinho".

"Mas, em substância, é mais um ato de irresponsabilidade. Esta moção de censura contribui para banalizar um ato de controlo parlamentar. Os portugueses estão determinados em vencer a crise e a emergência nacional. Esta determinação traduz-se na capacidade de manter um ambiente de paz e diálogo social. O PCP procura ativamente quebrar este ativo vital para o sucesso do país, ao adotar uma atitude sistemática de intransigência sectária", completou o ministro.

Vítor Gaspar encerrou a sua intervenção afirmando que o Governo não desiste, não esconde "custos, riscos e incertezas" e vai continuar a trabalhar para recuperar "bases de confiança e credibilidade para superar a crise".