Política

Vítor Gaspar insiste em manter metas orçamentais que obrigarão a mais austeridade, acusa PCP

Vítor Gaspar insiste em manter metas orçamentais que obrigarão a mais austeridade, acusa PCP

O PCP afirmou, esta quinta-feira, que o ministro das Finanças reconheceu finalmente o "óbvio", a impossibilidade de serem cumpridas as metas orçamentais, mas considerou "espantoso" que Vítor Gaspar insista no "erro" de manter os mesmos objetivos, que implicam mais austeridade.

O deputado comunista Honório Novo sublinhou, em declarações aos jornalistas no Parlamento, que "seis meses depois de andar a meter a cabeça na areia", o ministro das Finanças reconheceu "o erro, que para todos era óbvio, de que não é possível, de que não vai ser possível executar o Orçamento do Estado que a maioria aprovou em novembro e que retificou em abril".

"Isto é a consequência de uma recessão económica profunda, é a consequência óbvia do aumento de impostos aos trabalhadores, às pequenas empresas e ao povo. Isto é consequência daquilo que tínhamos avisado na altura da aprovação e discussão do Orçamento do Estado", disse Honório Novo.

Mas para o deputado, "o mais espantoso é que, no meio deste contexto, o Governo e o ministro das Finanças insistam na mesma prática, nas mesmas políticas, no erro, e digam e reafirmem que pretendem que este ano o déficie orçamental seja de 4,5 por cento".

"Ora isto só é possível, como é evidente, com novas medidas de austeridade. A alternativa não é caminharmos para o abismo, não é irmos de desastre em desastre até cairmos completamente num segundo resgaste imposto pela 'troika'. O caminho é romper com este processo, com estas políticas, alterar completamente o paradigma, renegociar completamente a base em que foi feito o programa, o pacto de agressão", acrescentou.

Honório Novo disse que é inaceitável mais austeridade e a persistência nesta política e que "isto tem de ser travado e invertido", por exemplo, votando a favor da moção de censura que o PCP apresentou ao Governo no Parlamento e que o plenário dos deputados apreciará na próxima segunda-feira.

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, afirmou na quinta-feira, no Luxemburgo, que existem incertezas ao nível da execução orçamental, sobretudo no domínio das receitas fiscais.