Política

Jerónimo acusa Cavaco de agir como membro do Governo

Jerónimo acusa Cavaco de agir como membro do Governo

Jerónimo de Sousa acusou este domingo à tarde o presidente da República de "se assumir, na prática, como mais um membro da coligação" e de permitir que se mantenha no poder "um Governo politicamente derrotado e socialmente isolado". O secretário-geral do PCP exortou Cavaco Silva a dissolver a Assembleia da República porque "foi eleito presidente e não ministro".

O líder do PCP falou num pequeno comício, durante o Passeio das Mulheres da CDU/Porto à praia fluvial de Porto do Rei, em Resende, um convívio que se realiza há 23 anos. Jerónimo de Sousa fez duras críticas ao Governo, mas principalmente a Cavaco Silva. "O pais não aceitará que perante um espetáculo de degradação política e sucessivos atropelos à lei fundamental, o presidente da República, em vez de assumir as suas responsabilidades, se assuma na prática como mais um membro da coligação. Cavaco Silva foi eleito presidente da República, não foi eleito ministro, não tem o direito de desrespeitar o seu juramento, de defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição", disse.

No seu discurso, perante militantes e simpatizantes da CDU/Porto, Jerónimo de Sousa associou a atitude de Cavaco Silva ao facto de estar "demasiado comprometido com a política de direita". "Veremos o que dirá amanhã e depois de amanhã nos encontros com os partidos, mas não temos grande esperança", afirmou. Em relação ao acontecimentos dos últimos dias, o líder dos comunistas portugueses, ironizou que "se o povo diz que às vezes é preciso engolir um sapo, Paulo Porttas teve que engolir o sapal todo" ao reverter a sua demissão e aceitar a nova ministra das Finanças, Maria Luís de Albuquerque.

"Não se trata de nenhuma maluqueira, é o capital financeiro que determina a vida desses partidos porque naturalmente eles, depois de cumprida a sua tarefa, hão-de ir para a administração de uma empresa, hão-de ir para a um tachinho na União Europeia, terão com certeza um lugar que lhes garanta o futuro", afirmou, declarando que Passos Coelho e Paulo Portas receberam do poder económico instruções "para se humilharem, se for preciso". "Vão-se agarrar ao poder como lapas", assinalou.

Perante esta situação, sublinhou Jerónimo de Sousa, "esta maioria há muito devia ter sido demitida, porque não há solução mais digna e democrática que seja a dissolução da Assembleia da República".

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