Política

Jerónimo de Sousa alerta Governo que a "revolta" está a crescer

Jerónimo de Sousa alerta Governo que a "revolta" está a crescer

O secretário-geral do PCP disse esta quarta-feira que o país está pior do que há um ano e embora "a ideologia das inevitabilidades" tenha "neutralizado muita gente", o Governo não deve "iludir-se", porque a "revolta" está a crescer.

"Passado um ano, há mais injustiças e exploração, há mais desemprego, há mais pobreza, há mais recessão económica, há menos soberania, estamos mais endividados e mais dependentes. Junto aqui um elemento de carater subjetivo, cada vez mais palpável, infelizmente, que transformo numa acusação ao Governo: a negação às novas gerações de construírem o seu futuro com segurança e com esperança num país que é o seu", afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder dos comunistas fez este balanço do primeiro ano de Governo PSD/CDS durante o debate do estado da Nação, que decorre na Assembleia da República.

"O estado da Nação é hoje uma realidade mais preocupantes que há um ano atrás. Isso é ineludível", conclui, reconhecendo a seguir que "é verdade que a difusão da ideologia das inevitabilidades", da "ideia" de que era preciso "ficar pior para depois ficar melhor mais à frente, levou à neutralização de muita gente".

No entanto, prosseguiu, está em curso uma progressiva "tomada de consciência", havendo "mais setores e camadas sociais que expressam a sua revolta" contra uma política que está a transformar Portugal no "país do nunca".

"Temos a convicção e a confiança de que mais cedo do que tarde o país ganhará com a vossa derrota, basta o povo português querer", afirmou Jerónimo de Sousa.

E dirigindo-se a Passos Coelho acrescentou: "Não se iluda com os aplausos, com o que está aqui a dizer e a ver. Já vi maiores maiorias, com mais calorosos aplausos, que acabram a ser derrotas, porque lá fora o mundo move-se."

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O líder do PCP lamentou ainda que o Governo insista em seguir uma política, alicerçada no acordo assinado com os credores internacionais, que desvaloriza o trabalho e diminui direitos sociais e serviços públicos, ao mesmo tempo que beneficia os grandes grupos económicos e financeiros, com "transferências colossais" de património e de dinheiro.

Na resposta a esta intervenção, o primeiro-ministro assegurou que "também" ele está "interessado em não negar às novas gerações o direito de construírem um futuro mais rico", sendo "justamente por isso" que segue a política que adotou há um ano , para não "endossar" às gerações que se seguem o peso do endividamento público.

Passos Coelho destacou que as "gerações presentes" já estão a pagar um preço muito elevado pelas opções erradas do passado, com "restrições muito grandes" que têm como objetivo que o país volte a ter acesso ao financiamento nos mercado internacionais.

O Governo, acrescentou, defende uma política de ajustamento e de correção dos desequilíbrios da economia porque quer, tal como o PCP, "salvar o estado social".

"Procuro não me iludir com coisa nenhuma, pelo contrário, procuro olhar a realidade com muita atenção. Mas isso é o que o Governo tem feito, olhar para esta realidade e transformá-la de modo a que os portugueses não se vejam de novo confrontados, como no passado, com a necessidade de com urgência pedir meios de que não dispunham para pagar salários, pensões, o direto à educação, o direito à saúde, o direito à segurança social", acrescentou.

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