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João Almeida defende que programa cautelar pode não ser pior que solução da Irlanda

João Almeida defende que programa cautelar pode não ser pior que solução da Irlanda

O porta-voz do CDS-PP, João Almeida, defendeu que um programa cautelar não é necessariamente pior do que uma saída da ajuda externa como a da Irlanda, argumentando que uma comporta "condições" e a outra "riscos".

"Ambas as opções têm vantagens e inconvenientes. Não podemos considerar que o programa cautelar é uma hipótese pior que a saída pela qual a Irlanda optou, sem programa cautelar, porque a saída sem programa cautelar determina um número de riscos, a saída com programa cautelar implica um determinado número de condições", afirmou João Almeida.

Em entrevista à Lusa, o ainda porta-voz do CDS-PP, que assumiu recentemente as funções de secretário de Estado da Administração Interna, considerou que não existem ainda "condições para dizer que é preferível uma ou outra opção".

João Almeida sublinhou a "segurança muito grande" de já não haver a possibilidade de um segundo resgate, dando esse facto como adquirido.

"Há um ano atrás estava muito longe de ser garantido, e havia muita gente que dizia que era inevitável um segundo resgate. Hoje é adquirido que isso não acontecerá. A partir daí, deixar todas as hipóteses em aberto, acho que é a melhor estratégia negocial", sustentou.

"A própria Irlanda, que optou por uma saída sem um programa cautelar, começou a definir essa estratégia cerca de três meses antes. Não se ganha nada em antecipar essa decisão", afirmou, sublinhando a "operação importante de colocação de dívida" no mercado que decorreu na quinta-feira e a "evolução da taxa de juro em mercado secundário que tem sido bastante favorável".

Enquanto vice-presidente da bancada parlamentar e deputado na comissão de Orçamento e Finanças, João Almeida foi uma das vozes mais críticas das opções do Governo no domínio económico e financeiro, juntamente com Adolfo Mesquita Nunes, atual secretário de Estado do Turismo.

Questionado se a sua ida recente ida para o Governo o vai obrigar a 'engolir' as críticas, João Almeida respondeu: "Quando fiz várias críticas no passado em relação à atuação do Governo e algumas discordâncias sobre medidas, fi-lo sempre na intenção por um contributo para uma alternativa melhor. Não há nenhuma razão para que no Governo não mantenha essa atitude".

João Almeida considera que o Governo ganhou "coesão política" e "coerência de discurso" desde a remodelação que aconteceu na sequência da crise política do verão, em que Paulo Portas chegou a apresentar a demissão de ministro dos Negócios Estrangeiros para depois assumir o cargo de vice-primeiro-ministro e reforçar a posição do CDS no Governo.

O porta-voz centrista espera que o Congresso sirva para fazer o balanço da governação e para Paulo Portas esclarecer a crise do verão, mas também, afirmou, para "lançar a segunda fase deste do Governo, o período de governação fora da assistência, e também preparar o partido para ter propostas políticas, para ter um conjunto de políticas públicas que sejam apresentáveis no pós-'troika'".