Política

João Semedo desafia Seguro a rejeitar negociar acordo com Governo

João Semedo desafia Seguro a rejeitar negociar acordo com Governo

O coordenador do BE desafiou este sábado o PS a recusar "o convite" para negociar um acordo com o Governo que assegure o cumprimento do programa de assistência e salientou que os bloquistas recusam pertencer "à família da 'troika'".

"Quando nos perguntam se nos sentimos incomodados por não termos sido convidados, nós dizemos não fazemos parte desta família da 'troika' (...) o PS se se sente mal acompanhado, se quer outra companhia, se quer a companhia da esquerda, a companhia do BE, António José Seguro tem uma solução fácil, é recusar o convite, é não se associar ao PSD e ao CDS na discussão da renegociação do memorando", afirmou João Semedo.

O líder bloquista e candidato à Câmara Municipal de Lisboa discursava no encerramento de um debate do BE para a elaboração do seu programa eleitoral para a capital.

"É tão simples quanto isto, se se sentem mal acompanhados (os socialistas), se querem mudar de companhia, digam ao professor Cavaco Silva, digam ao presidente da República, digam ao Governo 'não estamos interessados em fazer este negócio em torno da revisão do memorando convosco'. Isso seria bom para a esquerda, seria bom para a clarificação política e para o país", sustentou João Semedo.

Na sua intervenção, o coordenador do BE lamentou que o secretário-geral do PS "tenha aceitado o convite do presidente da República" e salientou que o seu partido não foi "convidado" porque não pertence "a esta família da 'troika'".

"Não assinámos o memorando, não desejamos, nem achamos que a solução dos problemas do país esteja na atualização do memorando, achamos que as soluções para o país passam exatamente por não cumprir as políticas do memorando", advogou.

"António José Seguro, que é um rapaz voluntarioso, prontificou-se a este esforço de diálogo construtivo para a salvação nacional, em primeiro lugar é preciso dizer que não é para salvar o país, é para salvar a coligação, para salvar o Governo, para salvar a direita, para salvar o memorando, para salvar a política da 'troika'", criticou Semedo.

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O líder bloquista repetiu por várias vezes que o país está "sem Governo" e que hoje "a alternativa é clara": "Ou eleições ou mais crise política, ou eleições ou mais catástrofe social, ou eleições ou mais recessão e desemprego, são as alternativas que hoje se colocam ao presidente da República, ao Governo, a todos os partidos políticos e aos portugueses".

Semedo ironizou ainda sobre vários comentários de personalidades da direita política a propósito da atual situação governativa para dizer que "ninguém acredita" num possível acordo "de salvação nacional".

"Invoco as palavras do insuspeito Mota Amaral, que seguramente não será tido pela maior parte de nós como um observador radical da vida política. Pois Mota Amaral deu uma entrevista e a parte mais importante é quando ele próprio reconhece que muito dificilmente se fará qualquer acordo entre o PS, o PSD e o CDS", referiu.

O bloquista apontou ainda palavras de Eduardo Catroga: "Sobre o acordo, a crise, solução para o país, a receita de Eduardo Catroga é amarrem o Paulo Portas, amarrem o Paulo Portas, é nisto que estamos".

"Perante o falhanço das políticas de austeridade e do memorando, Cavaco Silva percebeu que esta mesma política só será possível se reforçar a maioria que governa o país, o que Cavaco Silva pretendeu fazer foi atracar o PS para uma solução para a qual o PSD e o CDS não chegaram, não chegam e não chegarão", disse.

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