Política

Jovens desfilaram contra a condição de precários

Jovens desfilaram contra a condição de precários

Da Rua do Carmo ao Largo Camões, centenas de jovens manifestaram esta tarde a sua indignação contra o desemprego e a precariedade que os afeta, munidos de bandeiras, faixas e cartazes e gritando em uníssono palavras de ordem a exigir políticas diferentes.

Pouco passava das 15 horas quando os jovens manifestantes, que responderam positivamente à convocatória da CGTP -- interjovem, começaram a subir a Rua do Carmo em direção ao Chiado, numa coluna organizada, pontuada por bandeiras, cartazes e faixas, algumas a denunciar a adesão de manifestantes com outras reivindicações, como foi o caso dos trabalhadores do setor da restauração.

"À entrada para a Rua Garrett tinham à sua espera Jerónimo de Sousa, que aplaudiu a sua passagem e foi cumprimentando de sorriso na cara, apesar da chuva que começou a cair na altura, alguns manifestantes que a ele se dirigiram.

Entre as centenas estava Marisa, com um trabalho estável há 12 anos, mas presente na manifestação por solidariedade e para dizer que está contra a revisão da legislação laboral que foi aprovada na sexta-feira pelo Parlamento.

"Tenho um contrato efetivo, mas com todas estas alterações, como o despedimento vai tornar-se mais fácil, todas as pessoas hoje podem dizer que são precárias", disse a jovem trabalhadora.

Já Paulo, de 24 anos, desempregado e que trabalhou sempre com vínculos precários, esteve hoje no Chiado para "lutar contra o desemprego, uma chaga que tem afetado muitos jovens em Portugal".

"Estou a lutar também por um vínculo de trabalho efetivo e acredito que é com a luta que podemos mudar a situação. Se não lutarmos a tendência é para ficar tudo na mesma, ou piorar e roubarem mais direitos aos jovens", declarou.

Sobre a possibilidade de emigração, Paulo Costa diz: "não, obrigado".

"Os jovens têm futuro no nosso país, não é preciso emigrarem, é preciso que se criem oportunidades e trabalho para os jovens", defendeu.

Acompanhados de perto pela PSP, depois dos incidentes que marcaram a manifestação no Chiado na última greve geral, o protesto de hoje foi obrigado a um percurso que se desviava da zona das esplanadas, e a contornar o Largo do Chiado para depois seguir em direção ao Largo Camões, onde o desfile terminava e os esperava Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, para uma intervenção.

Turistas e portugueses viram passar os manifestantes, num misto de indiferença e expetativa. Enquanto uns saboreavam o café, outros alinhavam-se lado a lado com máquinas fotográficas e telemóveis a postos para registar a manifestação, atentamente vigiada por agentes da PSP.

A manifestação terminou sem registo de qualquer incidente.

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