Política

Líder do PCP assiste à recriação histórica da fuga de Álvaro Cunhal de Peniche

Líder do PCP assiste à recriação histórica da fuga de Álvaro Cunhal de Peniche

O secretário-geral do PCP assiste, esta sexta-feira, à recriação histórica da fuga de Álvaro Cunhal da cadeia de Peniche, que marca o arranque das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril e o fim do centenário do histórico comunista.

Jerónimo de Sousa vai assistir à recriação histórica da fuga de Álvaro Cunhal da prisão de Peniche, a 3 de janeiro de 1960, de acordo com o programa das iniciativas previstas para a Fortaleza de Peniche e organizadas pelo PCP, Câmara de Peniche e União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP).

O espetáculo vai dividir-se em duas partes, sendo a primeira a dramatização da fuga por um grupo de teatro numa tenda no exterior da Fortaleza, enquanto a segunda é a fuga propriamente dita, com a descida das muralhas da antiga cadeia pelos diversos panos amarrados entre si, da responsabilidade da Associação Espeleológica de Óbidos.

Antes, o secretário-geral do PCP preside à inauguração da exposição "Forte de Peniche - Local de Repressão, Resistência e Luta", seguida de uma visita à cela de Álvaro Cunhal e a outros espaços da antiga prisão.

A exposição relata a história da prisão política, recordando as normas de funcionamento e vivências dos 2487 presos que por aí passaram e as várias fugas que ocorreram.

A mostra dá a conhecer documentação institucional da prisão, fotografias dos presos e outros produzidos pelos presos, como cartas escritas aos familiares, jornais produzidos na clandestinidade.

Constam ainda objetos pessoais, como o relógio de Rogério Paulo, um cidadão que auxiliou Álvaro Cunhal na fuga, dois volumes d'As Farpas de Ramalho Ortigão, usados para passar mensagens para o interior da prisão.

A exposição dá também a conhecer a onda de solidariedade internacional gerada em torno dos presos e que a nível local se traduzia no apoio dado pela comunidade às famílias dos presos, nomeadamente disponibilizando as habitações para aí ficarem alojadas.

No sábado, Jerónimo de Sousa discursa e preside à sessão solene evocativa da fuga do histórico líder comunista, seguida de um espetáculo musical com o grupo Quadrilha e com o cantor Paulo de Carvalho, cuja música "E depois do adeus" foi a senha dada pela rádio para a revolução do 25 de Abril de 1974, dando ordem para as tropas estarem a postos.

A organização do programa procura valorizar a memória sobre os acontecimentos ligados à Fortaleza de Peniche, enquanto prisão política durante quatro décadas de ditadura, encerrando as comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal e iniciando as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, que vão decorrer durante 2014.