Política

Louçã acusa Coelho de estar "mais preocupado com obediência" à Alemanha

Louçã acusa Coelho de estar "mais preocupado com obediência" à Alemanha

O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, acusou, esta quinta-feira, o primeiro-ministro português de estar "mais preocupado com a obediência" à chanceler alemã do que com as respostas necessárias à crise económica.

"É muito significativo para Portugal que Passos Coelho esteja mais preocupado com a obediência à senhora Merkel do que propriamente nas respostas às dificuldades que estão criadas pela crise económica e pela recessão em Portugal", afirmou.

Francisco Louçã falava à Agência Lusa a propósito da posição portuguesa na reunião informal de chefes de Estado e de Governo que terminou quarta-feira, em Bruxelas, e na qual Pedro Passos Coelho defendeu que a emissão conjunta de obrigações europeias - "eurobonds" - "não é resposta para a situação atual".

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"Eu defendi o que tenho defendido em público: creio que os "eurobonds" não são uma resposta para a situação atual", disse, acrescentando que o Governo não tem uma posição de princípio contra a ideia, mas considera que "não se apresenta hoje como uma solução" para os problemas com que a Europa, e em particular a zona euro, se confrontam.

A questão dos "eurobonds", que o novo presidente francês, François Hollande, anunciara anteriormente que queria ver discutida na reunião, foi uma das várias matérias debatidas ao longo de cerca de seis horas do Conselho informal, iniciado na quarta-feira à noite e concluído já hoje de madrugada, tendo Passos Coelho considerado que se tratou de "um debate extremamente intenso e frutuoso".

"A cimeira de ontem [quarta-feira] prolongou o impasse europeu numa situação cada vez mais grave e demonstrou a teimosia dos líderes europeus em persistirem num caminho do qual não há saída", sustentou hoje o coordenador da comissão política do BE.

Para o dirigente bloquista, "ao recusar uma solução da Europa toda contra a especulação financeira", Passos Coelho "mostrou que está mais próximo de ser um embaixador da senhora Merkel do que propriamente um governante para responder às dificuldades em Portugal".

Francisco Louçã lamentou ainda que o PS "tenha aceitado retirar da sua proposta de adenda ao tratado" europeu a "ideia de um impulso europeu para uma solução europeia com um orçamento e um financiamento europeus por via dos "eurobonds".

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