Política

Louçã diz que Passos Coelho insultou portugueses de "piegas"

Louçã diz que Passos Coelho insultou portugueses de "piegas"

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, considerou, esta terça-feira, que o primeiro-ministro insultou os portugueses "que lutam contra o empobrecimento" imposto pelo Governo ao dizer que devem ser "menos piegas".

"Um primeiro-ministro que faz tanto mal tão depressa a tanta gente neste país não se pode permitir esta ofensa gratuita" declarou Francisco Louçã aos jornalistas à margem de uma visita ao hospital Garcia de Orta, em Almada.

Francisco Louçã assinalou que "nem no Carnaval se permite uma brincadeira destas, porque não se pode esperar que ninguém leve a mal".

Pedro Passos Coelho apelou segunda-feira aos portugueses para serem "mais exigentes", "menos complacentes" e "menos piegas" porque só assim será possível ganhar credibilidade e criar condições para superar a crise.

"Temos de ser ambiciosos e exigentes com o ensino, com a investigação e o saber, com as empresas", afirmou Passos Coelho durante uma intervenção na cerimónia do 40.º aniversário das escolas do grupo Pedago, que tem sede em Odivelas, e em cujo Instituto Superior de Ciências Educativas deu aulas.

O líder do Bloco de Esquerda afirmou que a "pieguice" está com um governo que "diz que o BPN vale 40 milhões e lhe dá 600 mil por pieguice em relação a um ex-ministro do PSD e ao governo angolano que vai ficar com banco".

Esta "pieguice com a desigualdade" e os "insultos" que são "o empobrecimento, o corte nas pensões, o aumento do preço dos transportes, e um milhão de pessoas sem emprego, grande parte dos quais sem apoio" merece dos portugueses uma resposta "sem hesitação".

Francisco Louçã afirmou que o Bloco estará na manifestação convocada pela CGTP-Intersindical para o próximo sábado no Terreiro do Paço "na luta social para apresentar alternativas e combater a degradação" das condições de vida.

Grécia e Portugal "muitíssimo pior"

Francisco Louçã considerou, ainda, que Portugal e a Grécia estão ambos "muitíssimo pior" depois da intervenção financeira da 'troika', alertando que os portugueses já vão conhecendo a realidade actual dos gregos.

Em dia de greve geral na Grécia contra mais medidas de austeridade, Francisco Louçã afirmou que "o que a União Europeia e a 'troika' têm feito à Grécia é um insulto para todos os povos europeus e também para Portugal".

"O que demonstra é que a Grécia, que tem um ano e meio de intervenção da 'troika', tem agora uma dívida muito maior, tal como portugal depois de seis meses", disse Louçã aos jornalistas à margem de uma visita ao hospital Garcia de Orta, em Almada.

Francisco Louçã argumentou que "aumentar a dívida e destruir a economia não é forma de resolver o problema da dívida nem na Grécia nem em Portugal".

"Se a solução que eles têm é destruir um país, então percebemos que é preciso acabar com esta solução e é preciso soluções verdadeiras", defendeu.

O caminho que a Grécia segue depois da intervenção da 'troika' "destrói a Grécia, destrói Portugal, destrói a Alemanha e toda a União Europeia", salientou, apontando que é preciso "acabar com este assalto".

Francisco Louçã defendeu que os portugueses se devem solidarizar com os gregos, percebendo "o caminho que está a ser imposto àquele povo e defendendo os direitos dos trabalhadores e dos reformados", as "pessoas concretas" que vêem os seus subsídios de Natal e férias cortados e as pensões reduzidas.

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