Política

Luís Filipe Menezes: "É preciso dizer basta" à "troika"

Luís Filipe Menezes: "É preciso dizer basta" à "troika"

As medidas anunciadas por Passos Coelho "criam a ideia de que estamos numa espiral recessiva de que nunca mais saímos". É a leitura de Luís Filipe Menezes, para quem "é altura de dizer basta" à troika.

O ex-presidente do PSD não poupa nas palavras, ao comentar o novo pacote de cortes, salientando, em particular, o impacto psicológico que causa. Exprimindo "as maiores dúvidas" quanto aos resultados, no plano económico-financeiro, lamenta, em declarações ao JN, o facto de "não termos, intercalarmente, notícias positivas". E de ser transmitida a perceção de que os funcionários públicos são "transformados em cordeiros para o sacrifício".

Passos abriu a comunicação ao país dizendo que o Governo teve de "lidar com as consequências orçamentais decorrentes da decisão do Tribunal Constitucional". Menezes, porém, está convicto de que não se trata apenas de compensar a perda de receita induzida pela declaração de inconstitucionalidade.

PUB

"Adota-se uma 'palete' de medidas que dá a ideia de que há muito mais agravamento quantitativo da austeridade", expresso em domínios como o aumento do horário de trabalho na Função Pública, observa. "O efeito psicológico será retrair ainda mais o consumo, entrando numa lógica de austeridade-desemprego-recessão".

Por quatro vezes usou o primeiro-ministro, na sua alocução, a palavra consenso. E afirmou-se disponível para debater as medidas com as forças políticas e os parceiros sociais, esperando "alternativas credíveis".

O candidato do PSD à Câmara do Porto reconhece que um "forte consenso político e social" a nível interno é condição para que Portugal se apresente unido perante o exterior. "É altura de dizer basta, mas não só em Lisboa. Em Bruxelas, Frankfurt, Nova Iorque" - onde estão sediadas as entidades que compõem a troika. Não se trata de "berrarmos mais alto". É indispensável, sim, que primeiro-ministro, presidente da República e líder da Oposição atuem em consonância, em Bruxelas.

A tomada de posição de Menezes revela um mal-estar entre notáveis do PSD que parece estar de novo a recrudescer. É o que indicia a violenta apreciação de Manuela Ferreira Leite, anteontem, ao Documento de Estratégia Orçamental, qualificado de "um modelo teórico sem nenhuma adesão à realidade".

Antes de conhecer as medidas ontem anunciadas, a ex--líder do PSD não hesitou em afirmar: "Podem amedrontar, podem criar ainda mais espírito de recessão, podem afundar psicologicamente as pessoas, mas resultados não vão ter nenhuns".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG