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Maioria da população apoia a fusão de Porto e Gaia

Maioria da população apoia a fusão de Porto e Gaia

A maioria dos habitantes do Porto e de Gaia (45%) concordam com fusão dos dois municípios, de acordo com uma sondagem efetuada para o JN. Mas o entusiasmo é maior entre a população da Invicta.

Passariam a ser 539 mil pessoas. As suficientes para rivalizar com Lisboa (547 mil) e para satisfazer as ambições de Luís Filipe Menezes, o presidente da Câmara de Gaia que não esconde a intenção de dar o salto para a Câmara do Porto. E também o responsável por recuperar para a agenda política a hipótese de uma fusão entre Porto e Gaia.

A proposta parece ter cativado a maioria dos habitantes dos dois concelhos, mas "é melhor acolhida na margem direita do Douro. Seja porque há mais portuenses (46,7%) do que gaienses (43,4%) a responder positivamente à hipótese de fusão; seja porque há menos portuenses (26,9%) do que gaienses (32,8%) a rejeitarem a criação de um único município.

Fernando Gomes, que em tempos acolheu a ideia, olha para o Porto e vê uma cidade metida num colete de forças. À sua massa crítica não corresponde dimensão territorial. Um problema que se resolveria com a integração do imenso território a Sul.

Uma visão "colonialista" do Porto face a Gaia que, de certa forma, a sondagem reflete. Vejam-se as respostas a propósito da designação do futuro município: os gaienses inclinam-se (76,5%) para a junção dos dois nomes (Porto/Gaia); os portuenses não parecem encontrar mais valia nessa junção e preferem Grande Porto (43,9%).

A mesma sobreposição do Porto sobre Gaia nota-se nas respostas sobre o local onde deveria ficar instalada a sede do novo poder municipal. Uma aparente divisão salomónica é a preferida dos inquiridos: Assembleia Municipal em Gaia, Câmara no Porto. Ou seja, uma sede protocolar em Gaia e a verdadeira sede do Poder no Porto.

Talvez por perceber que haverá sempre um desiquilíbrio a favor da margem direita do Douro, os putativos candidatos à Câmara de Gaia nas próximas eleições autárquicas, sem rejeitar a fusão, usam de algumas subtilezas de linguagem.

Marco António Costa, o secretário de Estado da Segurança Social, "designado" sucessor de Menezes, e eventual candidato pelo PSD, prefere a expressão "união de esforços" à palavra fusão.

Quanto a Manuel Seabra, o único peso pesado socialista que manifestou interesse por uma corrida eleitoral a Gaia, prefere a fusão entre os seis concelhos do Grande Porto, ou seja, uma Junta Metropolitana com um presidente eleito pelo povo.

"Maior do que Lisboa"

Nem um nem outro estariam interessados em exercer uma espécie de presidência "em exercício", até à eventual fusão. Pelo menos, nenhum iguala o entusiasmo de Menezes, que já sonha com uma cidade "maior do que Lisboa".

Um slogan de campanha que não será certamente repetido por Manuel Pizarro, outro pré-candidato à Câmara do Porto. O líder da concelhia socialista acha que a fusão faz sentido. Mas remete para 2017, ou seja, para o ciclo eleitoral autárquico posterior a 2013.

Sondagens e ambições políticas à parte, a realidade assegura que, para lá do formalismo das fronteiras, Porto e Gaia já são, para as populações, um mesmo território. Basta olhar para os últimos dados conhecidos de deslocações pendulares (casa-trabalho e casa-escola): mais de 30 mil pessoas saem todos os dias de sua casa, em Gaia, em direção ao Porto.

FICHA TÉCNICA:

Estudo de Opinião efectuado pela Eurosondagem, S.A., nos dias 22, 23 e 24 de Maio de 2012. Entrevistas telefónicas, realizadas por entrevistadores seleccionados e supervisionados. O Universo é a população com 18 anos ou mais, residente no Concelho do Porto e Vila Nova de Gaia, e habitando em lares com telefone da rede fixa. Foram efectuadas 897 tentativas de entrevistas e, destas, 164 (18,3%) não aceitaram colaborar no Estudo de Opinião. Foram validadas 733 entrevistas, correspondendo a 81,7% das tentativas realizadas. A Amostra foi estratificada por Concelho (Porto - 49,7%; Vila Nova de Gaia - 50,3%), e a escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas. O entrevistado, em cada agregado familiar, foi o elemento que fez anos há menos tempo. Desta forma aleatória resultou, em termos de sexo, (Feminino - 51,4%; Masculino - 48,6%), e no que concerne à faixa etária, (dos 18 aos 30 anos - 16,5%; dos 31 aos 59 - 51,7%; com 60 anos ou mais - 31,8%) num total de 733 entrevistas validadas. O erro máximo da Amostra é de 3,62%, para um grau de probabilidade de 95,0%. Um exemplar deste Estudo de Opinião está depositado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social.