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Mais tempo para ajustamento como quer o PS adiaria o crescimento, garante Passos

Mais tempo para ajustamento como quer o PS adiaria o crescimento, garante Passos

O primeiro-ministro sustentou este sábado que se Portugal tivesse um período mais alargado para o ajustamento financeiro, como defende o PS, o crescimento económico ficaria adiado por mais anos e a dívida e os custos sociais aumentariam.

No encerramento das jornadas parlamentares conjuntas do PSD e do CDS-PP, na Assembleia da República, Pedro Passos Coelho desafiou quem quer um caminho alternativo ao do Governo a "explicar com clareza como o pretende financiar" e contestou a ideia que disse ser defendida por "algumas minorias", do regresso por parte de Portugal a uma moeda própria: "Trata-se de uma alternativa que claramente recusamos".

Depois, o primeiro-ministro rebateu a "solução oferecida pelo principal partido da oposição", de mais tempo para o ajustamento financeiro, alegando que isso implicaria "um longo e difícil processo de negociação de um segundo resgate".

Para além do PS, "há também velhas memórias que apontam para a necessidade de Portugal voltar a pedir um resgate", observou Pedro Passos Coelho.

"Um período mais alargado de ajustamento significaria um maior número de anos antes de podermos regressar ao crescimento, com mais custos sociais, e com níveis crescentes de dívida. Os estudos recentes sobre o impacto da austeridade mostram que a relação é linear, ou seja, esses custos terão sempre de ser pagos em igual medida se o ajustamento for mais lento. Seriam, isso, sim, distribuídos ao longo do tempo, o que adia a recuperação para um futuro distante e incerto, perpetuando a situação muito grave em que nos encontramos", sustentou.

O primeiro-ministro referiu que o anterior Governo do PS chefiado por José Sócrates negociou um resgate para três anos e que "o envelope financeiro que foi atribuído a Portugal é nem mais nem menos o dinheiro de que o país precisa para viver durante esses três anos".

Por isso, "qualquer implicação de maior financiamento para a nossa economia conduz evidentemente à necessidade de pedir mais dinheiro ou de o encontrar no seio da própria economia", argumentou.

Segundo o primeiro-ministro, a solução proposta pelo PS criaria "uma enorme incerteza" quanto à resolução do problema de financiamento de Portugal e implicaria "condições muito mais gravosas de ajustamento", porque "são sempre piores negociadores aqueles que começam por mostrar a sua incapacidade para cumprir objetivos e obter resultados".

De acordo com Passos Coelho, Portugal deve ter pressa: "Não devemos adiar o que terá sempre de ser feito e o que será tão mais difícil quanto mais o adiarmos".

O primeiro-ministro assinalou que "a recente revisão dos limites quantitativos para o défice orçamental teve o cuidado de não alterar a duração do programa".