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Manifestantes derrubam grades de proteção da AR e ateiam fogueira

Manifestantes derrubam grades de proteção da AR e ateiam fogueira

Manifestantes concentrados junto à Assembleia da República derrubaram as grades de proteção das escadarias do Parlamento, lançaram pedras e outros objetos contra a polícia, obrigando a PSP a formar um cordão humano para proteger o edifício, naquele que foi o momento mais tenso dos protestos desta quarta-feira.

Os ânimos acalmaram entretanto, restando agora poucas dezenas de manifestantes a manter o protesto, pacificamente.

A tensão esteve, todavia, bem alta umas horas mais cedo. O grupo constituído por estivadores derrubou todas as grades que servem de proteção ao Parlamento. Perante a investida, a polícia viu-se obrigada a formar um cordão humano, evitando que os manifestantes avançassem mais.

A polícia teve de alargar o perímetro de segurança e reforçou o número de elementos do Corpo de Intervenção, tendo ainda deslocado para o local elementos das equipas cinotécnicas formadas por agentes acompanhados por cães.

Pouco depois, juntaram sacos e um caixote do lixo e atearam fogo em frente à escadaria da Assembleia da República. Os manifestantes foram atirando cartazes, vários objetos e até um sofá para a fogueira. Ouviram-se explosões dos objetos no fogo.

"Saiam do sofá", gritaram, apelando a todos os que ficaram em casa e não foram para a rua protestar. "Há um milhão de desempregados. Onde é que eles estão? E os estudantes?" - questionaram duas manifestantes indignadas por não haver maior adesão ao manifesto.

Alguns dos manifestantes estiveram frente a frente com elementos do corpo de intervenção. Outros arremessaram garrafas contra a polícia.

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Já horas antes, munidos de "very light", um grupo de estivadores impediu a saída de muitos deputados da Assembleia da República, após a votação do OE 2013.

Os deputados tentaram abandonar o Parlamento pela porta lateral, como habitualmente. Porém, perante o protesto dos trabalhadores dos portos, foram obrigados a recuar e a percorrer vários corredores, para chegar à outra porta lateral.

No exterior, apercebendo-se da movimentação, o grupo de estivadores dividiu-se e travou de novo a intenção de saída dos políticos. Só com a ajuda do contigente da PSP se pôde então sair da Assembleia, sob fortes apupos dos estivadores.

Milhares manifestantes concentraram-se em frente à Assembleia da República, desde que o Orçamento de Estado de 2013 foi aprovado, pelas 15 horas, e foram vários os movimentos que protestaram contra a proposta orçamental. A CGTP já terminou o protesto ao final da tarde.

Junto à escadaria do Parlamento eram visíveis muitos elementos da organização do protesto do dia 15 de Setembro, "Que se lixe a Troika", da CNA (Confederação Nacional de Agricultores), dos Indignados, Precários Inflexíveis e manifestantes da CGTP, que incluíram a marcha da Função Pública.

"Estão a vender Portugal" ou "queremos um Governo que saiba governar" eram algumas das frases visíveis nos cartazes empunhados", secundados por canções de intervenção que saíam do sistema de som do movimento "Que se lixe a Troika".

Recorde-se que os partidos da coligação anteciparam a sessão de encerramento do debate do OE, assim como a respetiva a votação, evitando, assim, a coincidência com os protestos.

Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, acusou o governo de dar sinais de "desespero" ao antecipar a votação do OE. O líder da central sindical garante que os trabalhadores não baixarão os braços e que o "governo não irá resolver o problema com esta fuga em frente, porque o orçamento de Estado já provou que se trata de uma agressão".

Arménio Carlos frisou mesmo que a marcha da Função Pública não contou com menor adesão devido à votação antecipada.

Já Frederico Aleixo, um dos 29 elementos do movimento "Que se lixe a Troika", salientou que o "Governo mostrou ter receio de se ver confrontado com o descontentamento dos cidadãos, penalizados com medidas cegas".

Os deputados da Esquerda também se associaram aos protestos, fechando a marcha da Função Pública. Do Bloco de Esquerda, João Fazenda, Pedro Filipe Soares e Mariana Aiveca. Do PCP, Bernardino Soares, João Oliveira, António Filipe e Bruno Dias.

A acção de protesto da CGTP terminou um pouco antes das 18 horas e os manifestantes começaram a desmobilizar. Em frente à AR permanecem os outros movimentos que agendaram protestos para esta quarta-feira.

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