Política

Marcelo remete para domingo qualquer resposta às críticas socialistas

Marcelo remete para domingo qualquer resposta às críticas socialistas

O conselheiro de Estado Marcelo de Rebelo de Sousa remeteu para o próximo domingo qualquer resposta às críticas do PS ao seu último comentário semanal, garantindo que esta é "sempre" a sua orientação.

À entrada para um jantar numa unidade hoteleira em S. Félix da Marinha, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado pelos jornalistas sobre as reações socialistas às críticas que fez no seu comentário semanal de domingo na TVI às alterações de estatutos do PS.

"Eu tenho uma orientação desde sempre que é a seguinte: aquilo que eu digo no domingo, se porventura suscita reações, a altura adequada para eu dizer o que tenha a dizer é no domingo próximo. Portanto, no domingo próximo, ali à volta das nove da noite, eu direi o que tenho a dizer", respondeu.

Perante a insistência da comunicação social, o ex-líder do PSD foi perentório: "É sempre a minha orientação. Aquilo que eu digo num domingo, se suscita reações - quaisquer que elas sejam - eu comento no domingo seguinte, no mesmo sítio em que disse o que disse. No domingo estão convidados, senão tiverem nada que fazer. É domingo de Páscoa. Admito que não seja um bom domingo mas aproveitem, depois de comer o folar, ouçam o que eu tenho a dizer. Eu domingo respondo a tudo".

Em causa estão as declarações de Marcelo no domingo no seu espaço de comentário político na TVI, onde criticou a alteração dos estatutos do PS, aprovada na reunião da comissão política nacional realizada no sábado.

"Um líder forte não precisa da golpaça de fazer revisões de estatutos, violando os estatutos. (...) Se o homem faz isto enquanto é líder da oposição, o que fará quando for primeiro-ministro?", questionou Marcelo Rebelo de Sousa, que comparou ainda Seguro com José Sócrates, anterior secretário-geral do PS, dizendo: "[Seguro] faz uma tropelia aos estatutos que nem Sócrates conseguiu fazer."

Na mesma noite, em reação, o Secretariado Nacional do PS acusou Marcelo de "faltar à verdade", criticando o social-democrata por "interpretar e fazer juízos de valor e de intenções sobre o caráter e motivações do secretário-geral do PS", António José Seguro.

Em sequência, os socialistas comunicaram domingo à noite que iriam "formalizar a solicitação do direito de resposta/retificação à TVI (o qual já foi solicitado telefonicamente)".

Hoje, vários líderes de distritais socialistas manifestaram-se indignados com as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, com o presidente do PS/Algarve a defender que o comentador da TVI deve sair do Conselho de Estado.

Em declarações à Lusa, Miguel Freitas sustentou que o comentador da TVI "tinha razões acrescidas, enquanto conselheiro de Estado, para ponderar o que dizia" e sustentou que "a partir de ontem [domingo], não tem condições" para continuar como conselheiro, considerando que estas afirmações "vão criar instabilidade não apenas no partido, mas também no País".

Hoje, o secretário-geral do PS, António José Seguro, está no Jornal Nacional da TVI.