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Menezes diz que recuo na TSU é "sinal de humildade democrática"

Menezes diz que recuo na TSU é "sinal de humildade democrática"

O conselheiro de Estado Luís Filipe Menezes considerou, esta terça-feira, o recuo nas alterações na Taxa Social Única (TSU) um "sinal de humildade democrática" que deve servir para "reganhar a confiança dos cidadãos".

"É preciso ter a humildade de saber governar em democracia", afirmou hoje o presidente da câmara de Gaia à margem de uma visita a um empreendimento social, assinalando a importância de "ouvir e de retroceder quando a opinião pública, instituições e população conseguem provar que há um determinado caminho com o qual não se identificam".

Questionado sobre o recuo do governo relativamente à Taxa Social Única, considerou ser um "sinal de humildade democrática que deve servir para, com outras medidas, reganhar a confiança dos cidadãos".

Ainda sobre a TSU, defendeu que a medida era "bem-intencionada", acrescentando que "não há nenhum primeiro-ministro nem nenhum ministro que queira fazer mal às pessoas" e que o executivo "não estava a fazer nenhuma malfeitoria".

"Estava a desenvolver uma tese bem-intencionada que, porventura tecnicamente, se veio a comprovar, no debate, que não seria a melhor", frisou.

Acrescentou que "ouvidos os parceiros sociais, os sindicatos, os empregadores, os políticos, deputados e partidos" se concluiu que "há outras medidas tecnicamente mais consistentes para procurar atingir a mesma finalidade", nomeadamente "através da revisão do IRS e do sistema fiscal de forma geral".

"De facto vai haver menos dinheiro disponível no bolso de muitos portugueses", referiu o ex-líder do PSD, sublinhando que "se esse é o melhor caminho para criar emprego e relançar a economia, se essa é a convicção dos parceiros económicos e sociais" então "o governo seguiu esse caminho".

"A austeridade em geral é algo que, infelizmente, vai ter de continuar", acrescentou.

A visita contou com a presença do ex-presidente da Assembleia da República João Bosco Mota Amaral (que em 2006 deu o nome ao empreendimento) que se escusou a comentar qualquer tema da atualidade política.

Na segunda-feira, Passos Coelho anunciou que o governo está a preparar uma proposta de aumento de impostos, incluindo o IRS, para compensar uma devolução parcial dos subsídios de Natal e de férias retirados ao setor público e pensionistas,

Segundo o primeiro-ministro, esta proposta está a ser trabalhada pelo Governo como alternativa às alterações à Taxa Social Única (TSU), medida que considerou ter sido "mal entendida" e ter visto os seus propósitos "subvertidos".