Política

Mesquita Machado diz não ter mais ambições políticas depois de terminar mandato

Mesquita Machado diz não ter mais ambições políticas depois de terminar mandato

O presidente da Câmara Municipal de Braga, Mesquita Machado, considera que após 36 anos como autarca deixa um concelho com "excelente" qualidade de vida e uma câmara financeiramente "desafogada" e assegura que não tem mais nenhuma "ambição" política.

Em entrevista à agência Lusa, em ano de autárquicas, aquele que é um dos autarcas há mais tempo em exercício em Portugal afirmou que não é "nenhum dinossauro" e recusou o rótulo de "invencível", embora tenha realçado que não perdeu qualquer uma das eleições a que se candidatou.

A menos de um ano de terminar o décimo mandato como presidente da Câmara Municipal de Braga, o socialista confessou que quando assumiu o cargo ficou "aterrorizado" com a "falta de condições" no concelho.

Ainda se lembra da primeira medida que tomou como líder do executivo: "Utilizar os sábados e os domingos para visitar as freguesias do concelho de Braga", iniciativa que o marcou.

"Fiquei aterrorizado com o que vi. Quando me deparei com a realidade existente vi que Braga tinha freguesias com carências de toda a ordem", admitiu.

Segundo Mesquita Machado, no concelho que assumiu em 1977, depois de ganhar as primeiras autárquicas da era democrática em Portugal, "tudo" faltava, desde saneamento a escolas, iluminação e até ruas. Para o autarca, a Braga de hoje, aquela que deixa, é "sem sombra de dúvida" uma "grande" cidade.

"Todas as nossas freguesias hoje dispõem de excelente qualidade de vida. Têm boas escolas, têm abastecimento de água e saneamento, têm bons equipamentos desportivos, bons equipamentos culturais e a própria cidade tem aspetos que, eu direi, muito significativos", descreveu.

Quanto à herança financeira que deixa na autarquia, assegurou que "Braga vive uma situação financeira relativamente desafogada", embora salientasse que não há "dinheiro a sobrar".

Meninas dos olhos? "A menina máxima foi o desenvolvimento integral no concelho de Braga. Depois há outras como o estádio. É uma peça arquitetónica belíssima, apreciada em termos mundiais. A área pedonal de Braga também é muito significativa e a rede de transportes urbanos", enumerou.

No entanto, como a "missão" a que se propôs "termina daqui a alguns meses", não pensa em ocupar mais cargos políticos: "Se me perguntar se tenho alguma ambição, direi que não tenho, acho que fiz tudo. Foram quase 37 anos de atividade politica e já fui de tudo. Fui deputado, secretário de Estado e atualmente ainda sou membro do Comité das Regiões da Europa".

Apontado como um dos 'dinossauros políticos' do país, Mesquita recusou o nome e disse mesmo "não gostar do termo" pois ainda se sente "muito jovem".

A lei que limita os mandatos dos autarcas impede-o de concorrer à 11.ª eleição, o que, afirmou, acabou por beneficiá-lo.

"Seria muito difícil para mim recusar uma candidatura e eu considero que este deveria ser o último mandato de qualquer maneira", explicou.

No entanto, não deixou de criticar a lei, de que discorda por não abranger outros cargos políticos: "Foi direcionada para afastar autarcas, não tenha dúvidas".