Política

Miguel Relvas confirma ter recebido SMS de Silva Carvalho

Miguel Relvas confirma ter recebido SMS de Silva Carvalho

Miguel Relvas admitiu, esta terça-feira, no Parlamento, que recebeu mensagens (SMS) de Jorge Silva Carvalho com a indicação de nomes para lugares nas "secretas".

Ao ser ouvido na comissão parlamentar de Direitos Liberdades e Garantias, por iniciativa do BE, o ministro dos Assuntos Parlamentares disse ter recebido a lista de nomes para promoções nos serviços de informação, mas garantiu que não respondeu às mensagens de Jorge Silva Carvalho, que é arguido num processo de passagem indevida para o exterior das "secretas" de informação classificada.

O ministo foi ainda confrontado com o facto de a acusação judicial referir a existência de emails de Silva Carvalho enviados para a sua caixa de correio eletrónica, mas apenas confirmou receber "cliplings" de imprensa da parte do arguido, que depois de ter sido dirctor do SIED passou a trabalhar na empresa Ongoing.

Sobre os SMS e emails que recebia de Silva Carvalho, Miguel Relvas diz que nunca informou Pedro Passos Coelho porque não considerou relevante e porque ainda não era primeiro-ministro.

Segundo Miguel Relvas, os "clippings" que recebeu de Silva Carvalho eram também recebidos "por muitas outras pessoas" e continham "informação aberta", e não classificada: "Era tão aberta que, depois de ter recebido os primeiros exemplares, como deve certamente acontecer a todos nós, eu sempre que via aquela origem apagava, porque não tenho tempo".

Depois, o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares reiterou que nunca pediu qualquer "estudo de reestruturação dos serviços de informações" a Silva Carvalho, desde logo por nunca ter acompanhado essa área.

Quanto ao processo judicial em curso, Miguel Relvas adiantou: "Tenho lido muita coisa sobre um despacho de acusação feito pelo Ministério Público. E eu ontem [segunda-feira] pedi ao senhor procurador adjunto que me informe se no despacho há alguma referência ao meu nome. Segundo sei, ainda está em segredo de justiça, mas por vários jornalistas que escreveram sobre isto é dito não há uma única referência ao meu nome no despacho de acusação".

Por outro lado, o ministro afirmou que Jorge Silva Carvalho "não colaborou no programa eleitoral do PSD nem, mais tarde, no Programa do Governo"

Antes, Miguel Relvas contou que conheceu Silva Carvalho "depois de abril" de 2010, mês em que foi eleito secretário-geral do PSD. "Conheci-o num acontecimento público, encontrámo-nos uma vez, conversámos", disse.

"Nem o doutor Jorge Silva Carvalho me fez alguma vez perguntas sobre o PSD, nem eu lhe fiz perguntas sobre o serviço. Conversámos, conhecemo-nos, como conhecemos muitas outras pessoas, e falámos de matéria de atualidade, daquilo que seria normal nessas circunstâncias", prosseguiu.

Neste ponto, o ministro adjunto observou que Silva Carvalho "era visto em Portugal como uma pessoa muito respeitada", recebia "grandes elogios, no Expresso, na Visão, no Diário de Notícias" e era "referenciado como uma pessoa de grande competência, um exemplo de conhecimento em matéria de segurança" pelos "mesmos que hoje o criticam".

Miguel Relvas acrescentou que após a saída de Silva Carvalho do SIED, no final de 2010, os dois mantêm "uma relação de conhecimento", mas não "uma relação estreita" e que desde a sua tomada de posse como ministro apenas se encontraram uma vez, "fortuitamente", numa festa de aniversário no Algarve.

O ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares garantiu ainda que nunca convidou o ex-diretor dos SIED, nem ele se "insinuou", para dirigir os serviços de informações.

Miguel Relvas respondia ao deputado do PCP António Filipe que lhe perguntou se desmentia que alguma vez Jorge Silva Carvalho tivesse sido convidado "por si ou por alguém do PSD para secretário-geral do SIRP [Sistema de Informações da República Portuguesa] ".

"Eu não convidei o doutor Jorge Silva Carvalho e ele não se insinuou", afirmou. "Comigo nunca se insinuou para ser diretor-geral", insistiu.

O ministro disse estar de "consciência tranquila" e que "os factos" jogam a seu "favor".

*Com agência Lusa

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