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Militantes do PCP dizem que austeridade "dá alento à luta"

Militantes do PCP dizem que austeridade "dá alento à luta"

O secretário-geral comunista acusou, este sábado, o Governo de "desqualificar" e "ofender" o trabalho, numa passagem pela Festa do Avante!, que os militantes do PCP dizem servir este ano para dar "novo alento" à "luta" após o anúncio de mais austeridade.

Jerónimo de Sousa visitou hoje a exposição 'O trabalho e os trabalhadores', que reúne fotografias de 35 fotógrafos e fotojornalistas e está em exibição na Festa do Avante!, que decorre até domingo na Quinta da Atalaia, na Amora, Seixal.

"Fiz questão de visitar [esta exposição] porque tem uma grande atualidade e um grande significado também, que é a forma como os fotógrafos aqui representados dão valor ao trabalho, tão desqualificado, descaracterizado e ofendido por esta política do Governo em que os trabalhadores são os principais mal tratados. Creio que esta exposição tem essa mensagem forte: de forma multifacetada, e por diversas profissões, valorizar o trabalho e os trabalhadores", disse o líder do PCP aos jornalistas, um dia depois de o primeiro-ministro ter anunciado ao país mais medidas de austeridade.

A declaração de Passos Coelho não parece, porém, ensombrar a mobilização comunista e a Festa do Avante!, com que o PCP marca a sua rentrée política.

Para o casal Luís e Ilídia Santos, da Amora, "o pessoal ainda não digeriu" o anúncio de mais austeridade.

"Temos tempo", dizem, acrescentando, porém, desde já, uma certeza: o país está "cada vez pior" e "os ricos continuam a ser cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres".

Nada, no entanto, que perturbe a grande celebração comunista anual, que serve, na opinião dos dois, para lembrar aquilo que é essencial: "Se não lutarmos, não conseguimos nada. E mesmo assim está a ser muito difícil".

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Também Inês Fernandes, de Lisboa, que vende artesanato num dos stands da Festa do Avante!, diz que aquilo que Passos Coelho conseguiu, depois do anúncio de sexta-feira e de um ano de austeridade justificada com o acordo da ajuda externa, é tornar a festa "ainda mais combativa".

As pessoas, diz, acordaram hoje mais "revoltadas, muito revoltadas", sobretudo porque o Governo vai "tirar às pessoas para dar aos patrões", mas notou esta "grande indignação" sobretudo nas redes sociais e não tanto na Festa do Avante!.

Nem Inês Fernandes nem Irene Sá, responsável pelo Bar-concerto da Quinta da Atalaia, têm sentido diferenças no negócio em relação ao ano passado.

E também para Irene Sá a Festa do Avante! é, como sempre, "um novo alento" em tempos tão difíceis.

"A festa é um momento em que nós também festejamos o facto de nos reencontrarmos, de estarmos dispostos para a luta. É evidente que passamos momentos muito difíceis, mas o facto de nos encontrarmos aqui dá-nos um novo alento para mais um ano que vamos ter de levar pela frente e de luta e isso faz-nos renovar a esperança", disse à Lusa.

Sobre as novas medidas de austeridade conhecidas na sexta-feira, afirma que "despertam uma grande raiva, claro".

"Mas é como disse há bocado: o facto de estarmos aqui todos juntos... É uma nova medida mas nós vamos dar a volta. É o bom deste momento", acrescenta.

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