Política

Ministro das Finanças faz discurso virado para o futuro

Ministro das Finanças faz discurso virado para o futuro

O ministro das Finanças afirmou, esta sexta-feira, que Portugal vive "o princípio do fim do programa" de ajustamento e "consegue agora perspetivar a saída da crise", apelando à participação do PS para a construção da "estabilidade e prosperidade".

As posições de Vítor Gaspar foram assumidas num debate de urgência pedido pelo PS, na Assembleia da República.

No seu discurso, o ministro de Estado e das Finanças deixou por várias vezes elogios "à persistência e determinação dos portugueses" ao longo da execução do memorando de entendimento.

Reconheceu que "o progresso internacionalmente reconhecido" de Portugal no cumprimento do programa "não diminui as dificuldades que muitos portugueses enfrentam", nomeadamente pelo desemprego, mas defendeu que "é preciso evidenciar" que "Portugal já corrigiu os principais desequilíbrios macroeconómicos e bloqueios estruturais que estiveram na origem desta grave crise".

"Por se terem alcançado as bases indispensáveis para um novo ciclo de prosperidade, quer pelo meio de reformas estruturais, quer pela estabilização do sistema financeiro, quer pela consolidação orçamental estrutural, Portugal consegue agora perspetivar a saída da crise e olhar de frente o futuro", declarou.

O governante apontou como prioridade "a recuperação do investimento produtivo das empresas privadas" e do "investimento criador de empregos duradouros", mas disse que este "relançamento do investimento não poderá resultar do abrandamento do esforço de redução da despesa".

"Os esforços e sacrifícios dos portugueses, decisivos para abrir estes horizontes, não podem ser deitados a perder", alertou Vítor Gaspar, que sublinhou que "o rumo de saída da crise consiste no cumprimento do programa".

"Podemos conceber todo o tipo de alternativas e proclamar as melhores intenções", mas "temos de concentrarmo-nos no que depende de nós", sustentou o responsável pela pasta das Finanças, após a intervenção do secretário-geral do PS.

O ministro das Finanças lembrou que o programa acordado com a troika termina em junho de 2014, e aí o país entra "numa nova fase da vida coletiva", mas defendeu que é preciso "começar já a construir os alicerces institucionais para a estabilidade e prosperidade de Portugal".

Neste contexto, deixou um apelo às forças sociais e políticas, em especial ao PS, para o "estabelecimento de consensos", referindo "preocupações comuns" com os socialistas em "pontos tão diversos como a lei de enquadramento orçamental, a lei do trabalho portuário ou a necessidade da união financeira da Europa".

No final da sua intervenção, Vitor Gaspar procurou deixar uma mensagem de mobilização dos portugueses, comparando metaforicamente o país a um barco onde estão todos juntos.

"A alternativa para a sociedade portuguesa depois do programa será escolhida pelos portugueses, todos os portugueses são chamados a determinar o futuro de Portugal, a este grande desafio ninguém pode dizer que não, temos de construir juntos o barco da prosperidade futura, enquanto flutuamos nele no meio da tempestade da crise, a nossa vontade não esmorece ao sabor da meteorologia, Portugal é um povo de marinheiros capaz de superar as piores tormentas", afirmou.

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