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Ministro das Finanças não esclarece se defende mais baixas de salários

Ministro das Finanças não esclarece se defende mais baixas de salários

O ministro das Finanças não respondeu, esta sexta-feira, se defende mais baixas de salários e como sustenta as previsões de crescimento do consumo privado e do investimento do Documento de Estratégia Orçamental, que o PS considerou "uma profissão de fé".

"Este documento não é uma estratégia, é uma profissão de fé", afirmou o deputado João Galamba, do PS, considerando que Vítor Gaspar "está absolutamente convencido que esta estratégia tem de funcionar e, portanto, ajusta as previsões para que a coisa bata certo".

João Galamba questionava o ministro das Finanças durante o debate no Parlamento sobre o Documento de Estratégica Orçamental (DEO).

"O senhor ministro não pode dizer que, subitamente o consumo e o investimento aumentam e, depois, quando perguntado e confrontado porquê, diz que é uma recuperação cíclica normal porque as economias naturalmente recuperam", questionou o socialista, sublinhando que "a história está cheia de casos de economias que não recuperaram naturalmente".

"Portanto, tem que explicar como é que, com um desemprego elevadíssimo, e com tendência a aumentar, o que é que o leva a acreditar que o consumo vai crescer e o investimento vai recuperar", insistiu João Galamba.

Também Honório Novo, do PCP, questionou o ministro sobre como sustenta as previsões de aumento das exportações, e de aumento do consumo privado a partir de 2014, quando haverá reposição dos "salários e os subsídios de férias e de natal lá para 2018".

O deputado comunista insistiu nas questões sobre se o Governo "vai continuar a tentar cortar os salários, como quer a "troika'", naquilo que classificou de "imposição criminosa".

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Uma questão que foi também feita pelo deputado do BE Pedro Filipe Soares, referindo-se à "flexibilidade salarial que em "troiquês' significa cortar salários".

"Confirmar que esta é também a estratégia do Governo? Combater o desemprego cortando os salários, os salários mais baixos da europa?", interrogou Pedro Filipe Soares.

Na resposta, o ministro das Finanças centrou-se na argumentação de que "a eliminação dos desequilíbrios macroeconómicos é absolutamente fundamental para garantir a sustentabilidade do crescimento e é nisso que se baseia a complementaridade entre a estabilidade e o crescimento".

"Senhor deputado João Galamba, a questão que se coloca aos países que refere como nunca recuperando, é que esses países não conseguem evitar ciclos viciosos de insustentabilidade e instabilidade e, consequentemente, têm anos frequentes em que não crescem e contraem de forma muito pronunciada", afirmou.

"A importância de seguir políticas sustentadas é precisamente a de evitar esses ciclos destrutivos de instabilidade que são criados por crises associadas a imprudência na condução de políticas", acrescentou.

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