Política

Moção de censura do PS e remodelação do CDS são manobrismo político, diz João Semedo

Moção de censura do PS e remodelação do CDS são manobrismo político, diz João Semedo

O coordenador bloquista, João Semedo, acusou esta segunda-feira o PS de fazer "uma manobra política" ao apresentar uma moção de censura sem "condenar o memorando" e o CDS-PP de querer uma remodelação no Governo por mera "sobrevivência política".

Num artigo intitulado "Manobras políticas", publicado no "site' www.esquerda.net, o líder do BE considera que o secretário-geral do PS está "atrasado seis meses" na apresentação de uma moção de censura ao Governo.

"Na altura, disse que seria um ponto de partida e não de chegada. Afinal, não será uma coisa nem outra: o PS não chega nem parte para qualquer lado, fica onde está, isto é, fica com o memorando da "troika'", critica João Semedo.

O coordenador do BE afirma que "mal anunciou a moção de censura", António José Seguro quis "sossegar a "troika' e a senhora Merkel" afirmando que "o compromisso do PS com o memorando é para continuar".

"Esta é a breve história de uma moção de censura que, antes de o ser, já deixara de o ser. O memorando é o programa do governo e o programa do governo é o memorando. Censurar o governo é condenar o memorando, as políticas que o concretizam e os seus resultados: a austeridade, o aumento de impostos, os cortes nos serviços públicos, as privatizações, o colapso económico, o desemprego", defende Semedo.

Numa segunda parte do seu artigo, com o título "Manobras à direita", o deputado do BE lança críticas ao CDS-PP e ao "silêncio cúmplice de Paulo Portas" para dizer que os centristas querem "mudar umas caras para que tudo fique na mesma".

"Viciado no tartufismo político, o partido de Paulo Portas procura salvar um governo em adiantado estado de decomposição e com os dias contados. Salvar o governo para salvar o próprio CDS, partido profundamente implicado no desastre que tem sido a política governativa", refere João Semedo.

O deputado do BE acusa o CDS de desconsiderar "os problemas do país" e "a situação das vítimas da austeridade" e de estar preocupado com "a sua sobrevivência política e ambição de poder".

"Fica por saber que ministros quer o CDS remodelar. Certamente que não será Assunção Cristas, cuja lei das rendas ameaça de despejo muitos milhares de idosos. E muito menos Pedro Mota Soares, o ideólogo da caridade como política do estado e o recordista do corte nos apoios sociais", ironiza.

Semedo sublinha que "por muitos que fossem os remodelados, o primeiro-ministro e os novos ministros continuariam as mesmas políticas" e por isso "remodelar o governo é uma tentativa de prolongar o mandato de um governo em declínio" e que "perdeu legitimidade e credibilidade para governar".

"O governo não tem emenda, não tem solução. Remodelar é dar mais tempo para a sua agonia, ao mesmo tempo que a crise social e económica se agrava. A urgência da demissão do governo é a urgência de mudar de política, a urgência de tirar o país da crise. Remodelar é adiar a solução que a crise exige e os portugueses reclamam", acrescenta o bloquista.

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