Política

Os Verdes querem trocar memorando por renegociação da dívida

Os Verdes querem trocar memorando por renegociação da dívida

A moção de censura de "Os Verdes", apresentada esta segunda-feira, defende que é "fundamental" "trocar o memorando da 'troika' pela renegociação" da dívida, tendo a líder parlamentar ecologista esclarecido que tal passa por deixar "de lado" o acordo assinado por PS, PSD e CDS-PP.

No texto da moção de censura, com quatro páginas, lê-se que um "passo fundamental" a dar é "trocar o memorando da 'troika' pela renegociação" da dívida, "de modo a encontrar uma forma de pagamento que não se incompatibilize com o crescimento económico do país, e que, pelo, contrário, tenha nele o parâmetro adequado de nivelação de pagamento".

Questionada pelos jornalistas sobre o significado de "trocar o memorando pela renegociação", a líder parlamentar de "Os Verdes", Heloísa Apolónia, disse que é "deixá-lo de lado" e seguir uma política distinta, "que promova a dignidade dos portugueses".

Heloísa Apolónia recusou que o Partido Ecologista tenha medido as palavras para não alienar o apoio do PS, a quem acusa de "contradição" por anunciar o voto a favor a esta moção, ao mesmo tempo que está reunido com PSD e CDS-PP em torno do compromisso de "salvação nacional" pedido pelo presidente da República.

"O texto da moção de censura é muito claro na rejeição do memorando da 'troika'", sublinhou.

"O que é que o PS quer negociar? Não se pode estar com um pé dentro e outro pé fora, há alturas em que é preciso tomar decisões muito claras, e eu receio bem que os portugueses ainda não tenham percebido bem a posição do Partido Socialista face a estas contradições", sustentou.

Segundo Heloísa Apolónia, o debate da moção de censura permitirá "isolar" a maioria PSD/CDS-PP e parte do pressuposto que se fosse a população portuguesa o documento seria aprovado e o Governo, assim, derrubado.

"O debate permitirá, a todos os partidos, PS incluído, mas a todos os partidos, clarificar a sua posição e demonstrar as propostas que têm para o país. Na altura em que estamos, apresentar propostas alternativas, torná-las claras, é absolutamente determinante", defendeu.

O texto da moção de censura advoga uma "renegociação" da dívida que liberte o país "do flagelo gerado pelos juros imorais da dívida" e que permita "gerar meios financeiros para o país apostar no crescimento económico e, consequentemente, na sua capacidade de gerar riqueza por via da atividade produtiva, designadamente no apoio das micro, pequenas e médias empresas".

Para "Os Verdes", o Governo "perdeu toda a credibilidade, protagonizou dos espetáculos mais degradantes da vida política, demonstrou que não tem o sentido do valor da palavra dada aos portugueses e é promotor de uma política dramática e devastadora para o país".

O Partido Ecologista considera que o executivo está "desgastado e desagregado pelas inúmeras lutas sociais que atingiram uma dimensão e uma força sem precedentes nas últimas três décadas".

Na moção, aludem à crise política, a começar pela saída de Vítor Gaspar do Governo, argumentando que, na sua carta de demissão da pasta das Finanças, o ex-ministro assume o "falhanço" das políticas do Executivo.

O episódio em torno do pedido de demissão de Paulo Portas é descrito pelo PEV como "enxovalhante".

"Perante esta situação, o senhor Presidente da República reconhece, como não poderia deixar de ser, que o Governo já não tem credibilidade nem condições de governabilidade", assinalam.

"Porém, em vez de convocar imediatamente eleições legislativas, devolvendo a palavra ao povo português, entende que só convocará eleições antecipadas após a finalização do programa da 'troika', de modo a salvaguardar a concretização de mais políticas de austeridade e de delapidação do Estado social", sustentam.

O desemprego, a pobreza e a "emigração forçada" - que "Os Verdes" apontam como motivos para censurar o Governo - estiveram ausentes da declaração que Cavaco Silva fez ao país, declaram igualmente no texto da moção hoje entregue no gabinete da Presidente da Assembleia.