Política

Passos Coelho admite risco de "declínio económico" em 2012

Passos Coelho admite risco de "declínio económico" em 2012

O primeiro-ministro considerou, esta quarta-feira à noite, que há um risco de o "declínio económico" em 2012 ser maior do que o previsto pelo Governo e admitiu que nesse cenário sejam adoptadas novas medidas de austeridade.

"O maior risco que nós enfrentamos nesta altura é o de declínio económico", afirmou Pedro Passos Coelho, em entrevista à SIC, acrescentando que se a recessão económica no próximo ano for superior aos 3% previstos pelo Governo a meta do défice ficará posta em causa.

"Perante uma circunstância dessas, claro que nós teríamos de adoptar novas medidas. Não quero nesta altura dizer que medidas poderão ser. Julgo que não é a altura adequada para estar a falar disso", declarou o primeiro-ministro, que tinha sido questionado se podia garantir aos portugueses que em 2012 não vai apresentar, por exemplo, um imposto extraordinário sobre os subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores do sector privado.

Em seguida, Passos Coelho ressalvou que está "muito confiante" na execução de "um orçamento que tem riscos, mas que é cumprível" e que a sua perspectiva "não é a de ser pessimista, é a de ser realista e de mostrar profissionalismo".

Por outro lado, questionado se a forma como o empréstimo de 78 mil milhões a Portugal vai ser distribuído no tempo não poderá levar a que falte dinheiro, o primeiro-ministro discordou dessa leitura: "Não me parece. Até é possível que falte dinheiro, mas não é por essa via, com certeza".

Passos Coelho voltou a dizer que o que preocupa o Governo é a capacidade das empresas públicas para refinanciarem as suas dívidas, adiantando que a discussão deste assunto com a 'troika' não teve ainda uma conclusão e será retomada em Fevereiro.

"Esta é uma matéria que claramente nos preocupa nesta altura e que está ainda em discussão com a 'troika' e que merecerá, espero eu, a possibilidade de haver aqui alguma flexibilização, que não é necessariamente mais dinheiro", disse.

Sobre as privatizações da REN e da EDP, o primeiro-ministro referiu que o Governo está em condições de concluir esse processo até ao final do ano.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, desdramatizou a possibilidade de o presidente da República suscitar dúvidas sobre normas do Orçamento do Estado para 2012 e desvalorizou as diferenças de opinião entre órgãos de soberania.

Numa entrevista à SIC, o primeiro-ministro considerou que se o presidente da República tiver dúvidas e pedir esclarecimentos sobre o Orçamento do Estado aprovado pelo Parlamento "estará no seu direito".

Passos Coelho escusou-se a fazer "observações sobre as competências e os poderes do Presidente", limitando-se a referir que este "tem constitucionalmente um papel muito definido", cabendo-lhe "apreciar para promulgação as leis que são aprovadas na Assembleia da República ou os decretos-lei do Governo" e estando definidos "prazos próprios para o fazer".

Ainda a propósito da sua relação com Cavaco Silva, o primeiro-ministro afirmou que a sua grande preocupação é mostrar internamente e externamente que "Portugal não tem um problema de governabilidade nem tem um problema entre os principais órgãos de soberania".

Se houvesse no exterior "dúvidas sobre a cooperação que existe, e que verdadeiramente existe, entre órgãos de soberania, nós estaríamos muito pior", acrescentou.

"É natural que existam diferentes opiniões. Há quem as queira valorizar. Eu não valorizo", reforçou.

Passos Coelho desvalorizou também as críticas feitas por elementos do PSD, dizendo que não tem " medo de quaisquer fantasmas internos" e que, apesar das divergências, o seu partido "sempre esteve unido em torno das suas lideranças quando essas lideranças foram fortes".

Nesta entrevista, o primeiro-ministro voltou a "sublinhar a forma responsável como o líder do PS se comportou durante o processo orçamental", elogiando António José Seguro por este ter "conseguido dentro do seu partido e na sociedade portuguesa" comprometer-se com a abstenção em relação ao Orçamento do Estado.

Questionado sobre o que se passou no interior do PS, comentou: "Vejo sempre com apreensão quando o maior partido da oposição dá mostras de ter menos firmeza na posição que adopta".