Política

Passos Coelho reconhece que profissionais do S. João "têm razão" nas queixas

Passos Coelho reconhece que profissionais do S. João "têm razão" nas queixas

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho reconheceu, esta sexta-feira, no parlamento que o Conselho de Administração e os profissionais do Hospital de São João, no Porto, "têm razão" nas queixas que levaram ao pedido de demissão, mas que isso não vai resolver uma situação, que é estrutural.

"As queixas são queixas reais e reflectem problemas reais. O governo não mete a cabeça debaixo da areia", disse, depois de questionado pelo coordenador do BE, João Semedo, sobre as demissões no S. João.

O Primeiro-Ministro reconheceu o "trabalho notável" que o Conselho de Administração (CA) e os profissionais do S. João têm feito nos últimos anos, com resultados de excelência que têm vindo a ser reconhecidos, admitindo que têm razão em protestar, designadamente em relação ao facto de hospitais que deixam resvalar as contas, para continuarem a prestar cuidados, acabarem por ser beneficiados face a quem cumpre, como é o caso do S. João.

Passos reconhece que "quem cumpre deve ser premiado", mas recusa que isso passe por cortar o financiamento aos hospitais que derrapam as contas, admitindo que essa "é uma constatação que tem dezenas de anos" e que vai demorar a ser corrigida.

O Primeiro-Ministro mostrou-se esperançado que a reunião que decorre, esta sexta-feira, no Ministério da Saúde permita ultrapassar o problema e recusou demitir o ministro Paulo Macedo ou o CA do S. João, conforme repto lançado por João Semedo, ao considerar que Passos Coelho não podia, em simultâneo, aludir a um "bom desempenho" do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e concordar com as queixas do CA do S. João, que assenta parte da demissão o facto de "a qualidade na prestação de cuidados de saúde à população estar em risco", em colisão com a tutela.

Perante os elogios de Passos ao SNS e ao CA do S. João, o co-líder do Bloco aconselhou o primeiro-ministro a não visitar aquele hospital portuense. "É que podem não o deixar sair, temendo que o seu estado mental não seja compatível com as responsabilidades de um primeiro-ministro".

"Uma graçola", segundo Passos Coelho, que deixou o plenário de boca aberta mas que não teve resposta do Primeiro-Ministro.

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