Política

Passos Coelho: "Uma nação com amor próprio não anda de mão estendida"

Passos Coelho: "Uma nação com amor próprio não anda de mão estendida"

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu, esta sexta-feira, que ao executar o programa de assistência está a fazer o que se pede ao governo "de um país honrado" e que se os compromissos forem cumpridos, Portugal "volta-se a erguer".

"A cada 15 dias destes debates, começa a faltar imaginação para pôr questões e mostrar pontos de vista", afirmou Passos Coelho, depois de ter sido confrontado no debate quinzenal no Parlamento pelo líder do PCP, Jerónimo de Sousa, com o "calvário para as populações" que representam as medidas de austeridade.

Na abertura do debate quinzenal, Jerónimo de Sousa considerou que "a vida está a dar razão" ao PCP e que as consequências para o país "do pacto de agressão" são "um calvário para as populações".

"Um novo recorde de desemprego, com mais uns milhares empurrados para a vida precária, muitos para a miséria e para a pobreza", assinalou o deputado do PCP, que acusou o Governo de "esconder a realidade" com "o matraquear da ideologia".

"Deixe-se do discurso da retórica, do amanhã que nunca chega", atirou.

Na resposta à bancada comunista, o chefe do Governo acusou os comunistas de aproveitarem "casos que são dolorosos e o custo que tem para os portugueses a situação em que o país mergulhou" e defendeu que "a verdade" é que o Governo está "a apresentar resultados e a defender os portugueses da crise que se está a abater".

Passos assinalou que o défice estrutural para 2011 representa "um desagravamento de 4,4% do PIB relativamente a 2010" e que ao nível do desequilíbrio externo houve uma redução de "2,1%".

"As necessidades de financiamento externo do país estão a reduzir-se consideravelmente", notou.

O primeiro-ministro pediu ainda "honestidade" ao secretário-geral comunista: "A situação a que o país chegou não se deve, com certeza, a vários anos da minha governação".

"Quando olhar para o desemprego veja bem quando é que ela começou a evoluir, quando é que a economia portuguesa começou a crescer em média meio por cento ao ano, veja bem e depois analisará quando é que Portugal começou a empobrecer, quando é que o Estado começou a gastar mais do que devia", afirmou Passos Coelho.

O primeiro-ministro disse saber que "o país não realiza esta política de correcção de desequilíbrios sem consequências", mas defendeu que "os portugueses sabem que eles estão a ser corrigidos".

"Eu respondo-lhe com factos, não com intenções", sublinhou Passos Coelho, acrescentando que o país "está numa situação muito difícil por dez anos de políticas erradas" e elevado "endividamento externo".

"Uma nação que tem amor próprio não anda de mão estendida, nem a lamentar-se, cumpre os seus compromissos e volta-se a erguer, é esse o custo que o país sabe que tem de cumprir para sair da situação em que está e os portugueses terão muito orgulho em poder fazê-lo, porque não querem manter, como tiveram nos últimos dez anos, uma economia que não cresce e um desemprego a crescer continuamente", declarou.

No final, Jerónimo de Sousa considerou que "a maior honra que um Governo pode ter é governar em conformidade com o que disse em campanha eleitoral" e acusou o executivo PSD/CDS-PP de isentar "o capital financeiro, os BPN, os larápios" e responsáveis por casos "escandalosos".

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