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Passos entrega a Portas a missão de coordenar as relações com a troika

Passos entrega a Portas a missão de coordenar as relações com a troika

O acordo "sólido e abrangente" anunciado este sábado por Passos para refundar a aliança reforça a posição de Portas no Governo. Tão duradouro que assumem, desde já, uma lista PSD-CDS às europeias.

Paulo Portas reconsidera a decisão "irrevogável" e ganha peso no Governo. Passos é forçado a ceder, mas evita a saída de Maria Luís Albuquerque, que seria interpretada como pesada derrota. Maria Luís, que há meses vinha sendo preparada para substituir Gaspar, foi confirmada como ministra de Estado e das Finanças pelo primeiro-ministro, após um encontro entre as direções do PSD e CDS.

O comunicado era conjunto, mas a uma só voz. Portas, ao seu lado, ficou em silêncio. Ouviu, por isso, a confirmação de que será proposto para vice-primeiro-ministro, com a missão de coordenar as políticas económicas e as relações com a troika. As orientações para a reforma do Estado também ficam a cargo do vice-primeiro-ministro, cargo que há 30 anos andava arredado da orgânica dos governos.

Passos Coelho confirmou "outras alterações com significado" no Executivo (ler texto da página seguinte), que só serão conhecidas depois de o presidente da República dar o aval à remodelação do Governo.

Inequívoca foi a mensagem de que PSD e CDS estão empenhados em manter coesa a coligação até ao final da legislatura, no quadro de uma mudança de ciclo. Ao enfatizá-la - falou três vezes em crescimento económico - Passos vai ao encontro das aspirações dos centristas, que há muito pedem uma descompressão da austeridade.

"Queremos garantir a necessidade imperiosa de estabilidade e de confiança. O interesse nacional tem absoluta prioridade sobre as questões partidárias", frisou o primeiro-ministro, acrescentando que trabalharam "arduamente" para encontrar uma fórmula "consistente e duradoura".

A dita fórmula reforça "a valorização da política económica e a prioridade no crescimento e no emprego", ancorada no princípio de que "uma coligação é um compromisso permanente".

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Arrefecido o turbilhão político, Passos e Portas prometem menos desacertos. "Queremos reafirmar e reforçar esse empenho, garantindo que Portugal tem, e continuará a ter, uma solução governativa estável e determinada na resolução dos graves problemas do país".

O primeiro-ministro reafirmou ainda a intenção de fechar o programa de assistência dentro dos prazos, ou seja, junho de 2014. E aproveitou para lançar uma farpa ao PS: "Não fomos nós que amputámos a soberania nacional, mas reafirmamos o firme propósito de a recuperar".

Dirigentes do PSD e do CDS recusam falar em vencedores e vencidos. "Ganhou o país", atiram fontes dos dois partidos. Os sociais-democratas querem passar uma borracha sobre o assunto e minimizar danos. Os centristas fazem o mesmo, a duas semanas de um congresso eletivo. E se estão unidos no propósito de manter a coligação, não o estão quanto ao tsunami político que o líder causou. As críticas que ouviu, anteontem, à porta fechada, na reunião do Conselho Nacional, saltarão para o espaço público no congresso.

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